O enquadramento teórico baseia-se em COMPATIBLE STRESS FIELD DESIGN OF STRUCTURAL CONCRETE
(Kaufmann et al., 2020)
Dimensionamento estrutural de descontinuidades de betão no IDEA StatiCa Detail
1 Introdução ao método CSFM
1.1 Introdução geral ao dimensionamento estrutural de pormenores de betão
1.2 Principais pressupostos e limitações
1.3 Ferramentas de dimensionamento da armadura
2 Modelo de análise do IDEA StatiCa Detail
2.1 Introdução à implementação de elementos finitos
2.2 Apoios e componentes de transmissão de carga
2.3 Transferência de carga nas extremidades cortadas de vigas
2.4 Modificação geométrica de secções transversais
2.5 Tipos de elementos finitos
2.6 Geração de malha
2.7 Método de resolução e algoritmo de controlo de carga
2.8 Apresentação de resultados
3 Verificação do modelo
3.1 Estados limite, cálculo da largura de fendas e enrijecimento à tração
4 Verificações estruturais de acordo com o EUROCÓDIGO
4.1 Modelos de materiais (EN)
4.2 Coeficientes de segurança
4.3 Análise em estado limite último
4.4 Áreas parcialmente carregadas (PLA)
4.5 Análise em estado limite de utilização
5 Verificações estruturais de acordo com a ACI 318-19
5.1 Modelos de materiais (ACI)
5.2 Redução de resistência e fatores de carga
5.3 Verificações de resistência
5.4 Zonas de apoio e ancoragem - Áreas parcialmente carregadas
5.5 Verificações de utilização
6 Verificações estruturais de acordo com a AASHTO
6.1 Modelos de materiais (AASHTO)
6.2 Fatores de resistência e de carga
6.3 Estado limite de resistência
6.4 Resistência das zonas de apoio e ancoragem – Áreas parcialmente carregadas
6.5 Estado limite de serviço
7 Verificações estruturais de acordo com a AS 3600
7.1 Modelos de materiais (AUS)
7.2 Redução de tensão e fatores de carga
7.3 Verificações de resistência e de ancoragem
7.4 Verificações de utilização
8 Verificações estruturais de acordo com a CSA A23.3:24
8.1 Modelos de materiais (CSA)
8.2 Fatores de resistência e de carga
8.3 Estado limite último
8.4 Resistência das zonas de apoio e ancoragem – Áreas parcialmente carregadas
8.5 Estado limite de utilização
9 Pré-esforço em Detail - Descrição do modelo
1 Introdução ao método CSFM
1.1 Introdução geral ao dimensionamento estrutural de pormenores de betão
O dimensionamento e a verificação de elementos de betão são normalmente realizados ao nível da secção (elemento 1D) ou do ponto (elemento 2D). Este procedimento está descrito em todas as normas de dimensionamento estrutural, por exemplo, em (EN 1992-1-1 ou ACI 318-19), e é utilizado na prática corrente da engenharia estrutural. No entanto, nem sempre é conhecido ou respeitado que o procedimento só é aceitável nas zonas em que se aplica a hipótese de Bernoulli-Navier de distribuição plana das deformações (designadas por regiões B). Os locais onde esta hipótese não se aplica designam-se por regiões de descontinuidade ou regiões perturbadas (regiões D). Na (Fig. 1) apresentam-se exemplos de regiões B e D de elementos 1D. Trata-se, por exemplo, de zonas de apoio, zonas de aplicação de cargas concentradas, locais onde ocorre uma variação brusca da secção transversal, aberturas, etc. No dimensionamento de estruturas de betão, encontramos muitas outras regiões D, como paredes, carlingas de pontes, consolos, etc.

No passado, o dimensionamento das regiões de descontinuidade baseava-se em regras semiempíricas. Felizmente, ao longo das últimas décadas, essas regras foram em grande parte substituídas por modelos de escora-e-tirante (Schlaich et al., 1987) e por campos de tensões (Marti 1985), que constam das normas de cálculo atuais e são frequentemente utilizados pelos projetistas. Estes modelos são ferramentas poderosas e mecanicamente consistentes. Note-se que os campos de tensões podem ser, em geral, contínuos ou descontínuos, e que os modelos de escora-e-tirante são um caso particular de campos de tensões descontínuos.
Apesar da evolução das ferramentas computacionais nas últimas décadas, os modelos de Escora-e-tirante continuam, no essencial, a ser utilizados como cálculos manuais. A sua aplicação a estruturas reais é fastidiosa e demorada, uma vez que são necessárias iterações e é preciso considerar várias combinações de ações. Além disso, este método não é adequado para verificar critérios de utilização (deformações, larguras de fendas, etc.).
O interesse dos engenheiros estruturais numa ferramenta fiável e rápida para o dimensionamento de regiões D conduziu à decisão de desenvolver o novo Método do Campo de Tensões Compatível, um método de dimensionamento por campos de tensões assistido por computador, que permite o dimensionamento e a verificação automáticos de elementos de betão estrutural sujeitos a carregamento no plano.
O Método do Campo de Tensões Compatível (CSFM) é um método de análise de campos de tensões contínuo, baseado em elementos finitos, no qual as soluções clássicas de campos de tensões são complementadas com considerações cinemáticas, isto é, o estado de deformação é avaliado em toda a estrutura. Assim, a resistência efetiva à compressão do betão pode ser calculada automaticamente com base no estado de deformação transversal, de modo semelhante ao das análises de campos de compressão que consideram o amolecimento à compressão (Vecchio and Collins 1986; Kaufmann and Marti 1998) e ao método EPSF (Fernández Ruiz and Muttoni 2007). Além disso, o CSFM considera o enrijecimento à tração, conferindo rigidezes realistas aos elementos, e abrange todas as prescrições normativas (incluindo os aspetos de utilização e de capacidade de deformação) que não eram tratadas de forma consistente pelas abordagens anteriores. O CSFM utiliza as leis constitutivas uniaxiais correntes, fornecidas pelas normas de dimensionamento para o betão e para a armadura. Estas leis são conhecidas na fase de projeto, o que permite utilizar o método dos coeficientes parciais de segurança. Deste modo, os projetistas não têm de fornecer propriedades adicionais dos materiais, muitas vezes arbitrárias, como as habitualmente exigidas nas análises não lineares por elementos finitos, o que torna o método perfeitamente adequado à prática da engenharia.
Para promover a utilização de campos de tensões assistidos por computador pelos engenheiros estruturais, estes métodos devem ser implementados em ambientes de software de fácil utilização. Para este fim, o CSFM foi implementado no IDEA StatiCa Detail, um novo software comercial de fácil utilização, desenvolvido em conjunto pela ETH Zurich e pela empresa de software IDEA StatiCa, no âmbito do projeto DR-Design Eurostars-10571.
1.2 Principais pressupostos e limitações do CSFM em 2D
O CSFM considera a tensão principal máxima de compressão no betão (σc2r) e as tensões na armadura (σsr) nas fendas, desprezando a resistência à tração do betão (σc1r = 0), exceto o seu efeito de enrijecimento na armadura. A consideração do enrijecimento à tração permite simular as deformações médias da armadura (εm). Consideram-se fendas fictícias, rotativas e livres de tensões, que se abrem sem escorregamento (Fig. 2a), e tem-se também em conta o equilíbrio nas fendas em conjunto com as deformações médias da armadura.

Apesar da sua simplicidade, demonstrou-se que pressupostos semelhantes permitem previsões rigorosas para elementos de betão armado sujeitos a carregamento no plano (Kaufmann 1998; Kaufmann and Marti 1998), desde que a armadura disposta evite roturas frágeis na fendilhação. Além disso, a não consideração de qualquer contribuição da resistência à tração do betão para a carga última é coerente com os princípios das normas de projeto modernas, que se baseiam maioritariamente na teoria da plasticidade.
No entanto, o CSFM não é adequado para elementos esbeltos sem armadura transversal, uma vez que mecanismos relevantes para esses elementos, como o engrenamento dos agregados, as tensões residuais de tração na ponta da fenda e o efeito de cavilha – todos dependentes, direta ou indiretamente, da resistência à tração do betão – são desprezados. Embora algumas normas de projeto permitam o dimensionamento desses elementos com base em disposições semiempíricas, o CSFM não se destina a este tipo de estrutura potencialmente frágil.
Betão
O modelo de betão implementado no CSFM baseia-se nas leis constitutivas de compressão uniaxial prescritas pelas normas de projeto para o dimensionamento de secções transversais, que dependem apenas da resistência à compressão. O diagrama parábola-retângulo (Fig. 2c) é utilizado por defeito no CSFM, mas os projetistas podem também escolher uma relação elástica-plástica ideal mais simplificada. Na verificação segundo a norma ACI, só é possível utilizar o diagrama tensão-deformação parábola-retângulo. Como referido anteriormente, a resistência à tração é desprezada, tal como no dimensionamento clássico de betão armado.
A resistência efetiva à compressão é avaliada automaticamente para o betão fendilhado com base na deformação principal de tração (ε1) por meio do fator de redução kc2, como se mostra nas Fig. 2c e e. A relação de redução implementada (Fig. 2e) é uma generalização da proposta do fib Model Code 2010 para verificações ao corte, que contém um valor limite de 0,65 para a razão máxima entre a resistência efetiva do betão e a resistência à compressão do betão, o qual não é aplicável a outros casos de carga.
O CSFM no IDEA StatiCa Detail não considera um critério de rotura explícito em termos de deformações para o betão em compressão (i.e., considera um ramo plástico infinito após ser atingida a tensão de pico). Esta simplificação não permite verificar a capacidade de deformação de estruturas que rompem por compressão. No entanto, a sua capacidade última é corretamente prevista quando, além do fator do betão fendilhado (kc2) definido na (Fig. 2e), se considera o aumento da fragilidade do betão com o aumento da sua resistência por meio do fator de redução definido no fib Model Code 2010, do seguinte modo:
onde:
kc é o fator de redução global da resistência à compressão
kc2 é o fator de redução devido à presença de fendilhação transversal
fc é a resistência característica do betão em cilindro (em MPa para a definição de ).
Existe também uma redução do fator kc2 por razões de estabilidade do cálculo. Esta redução não influencia a resistência total dos elementos. Assumindo o valor fcd como a resistência majorada do betão (valor de cálculo), o valor de kc2 é reduzido de acordo com as regras seguintes.
σc2r < 0,11fcd kc2=1,0
0,11fcd < σc2r < 0,37fcd kc2 é uma interpolação linear entre 1,0 e o valor obtido do
gráfico apresentado na Fig. 2f
σc2r > 0,37fcd kc2 é obtido diretamente do gráfico da Fig. 2f
Armadura
Considera-se o diagrama tensão-deformação bilinear idealizado para varões de armadura simples, tipicamente definido pelas normas de projeto (Fig. 2d). A definição deste diagrama requer apenas o conhecimento das propriedades básicas da armadura na fase de projeto (classe de resistência e de ductilidade). Pode também ser definida uma relação tensão-deformação definida pelo utilizador.
O enrijecimento à tração é considerado através da modificação da relação tensão-deformação de entrada do varão de armadura simples, de modo a captar a rigidez média dos varões embebidos no betão (εm).
Modelo de aderência
O escorregamento por aderência entre a armadura e o betão é introduzido no modelo de elementos finitos considerando a relação constitutiva simplificada rígida-perfeitamente plástica apresentada na Fig. 2f, sendo fbd o valor de cálculo (valor majorado) da tensão de aderência última especificada pela norma de projeto para as condições de aderência específicas.
Trata-se de um modelo simplificado com o único objetivo de verificar as prescrições de aderência segundo as normas de projeto (i.e., ancoragem da armadura). A redução do comprimento de ancoragem na utilização de ganchos, laços e formas de varão semelhantes pode ser considerada através da definição de uma determinada capacidade na extremidade da armadura, como será descrito mais adiante.
1.3 Ferramentas de cálculo para armadura
Fluxo de trabalho e objetivos
O objetivo das ferramentas de cálculo da armadura no CSFM é ajudar os projetistas a determinar, de forma eficiente, a localização e a quantidade necessária de varões de armadura. Estão disponíveis as seguintes ferramentas para apoiar e orientar o utilizador neste processo: cálculo linear e otimização topológica.
As ferramentas de cálculo da armadura consideram modelos constitutivos mais simplificados do que os utilizados na verificação final da estrutura. Por conseguinte, a definição da armadura nesta etapa deve ser considerada um pré-dimensionamento, a confirmar/refinar durante a etapa de verificação final. A utilização das diferentes ferramentas de cálculo da armadura será ilustrada no modelo apresentado na Fig. 3, que consiste numa extremidade de uma viga simplesmente apoiada de altura variável, sujeita a uma carga uniformemente distribuída.

Análise linear
A análise linear considera propriedades de material elástico-lineares e despreza a armadura na região de betão. Trata-se, por isso, de um cálculo muito rápido, que fornece uma primeira perceção da localização das zonas de tração e de compressão. Na Fig. 4 apresenta-se um exemplo deste cálculo.

Otimização topológica
A otimização topológica é um método que visa encontrar a distribuição ótima de material num dado volume para uma determinada configuração de cargas. A otimização topológica implementada no Idea StatiCa Detail utiliza um modelo de elementos finitos linear. Cada elemento finito pode ter uma densidade relativa de 0 a 100 %, que representa a quantidade relativa de material utilizado. Estas densidades dos elementos são os parâmetros de otimização no problema de otimização. A distribuição de material resultante é considerada ótima para o conjunto de cargas dado se minimizar a energia de deformação total do sistema. Por definição, a distribuição ótima é também a geometria que apresenta a maior rigidez possível para as cargas dadas.
O processo iterativo de otimização começa com uma distribuição de densidade homogénea. O cálculo é efetuado para várias frações de volume total (20 %, 40 %, 60 % e 80 %), o que permite ao utilizador selecionar o resultado mais prático. A forma resultante é constituída por treliças com escoras e tirantes e representa a forma ótima para os casos de carga dados (Fig. 5).


2 Modelo de análise do IDEA StatiCa Detail
2.1 Introdução à implementação de elementos finitos
O CSFM considera campos de tensões contínuos no betão (elementos finitos 2D), complementados por elementos discretos de "barra" que representam a armadura (elementos finitos 1D). Assim, a armadura não está embebida de forma difusa nos elementos finitos 2D do betão, mas é modelada explicitamente e ligada a esses elementos. No modelo de cálculo, considera-se um estado plano de tensão.

Podem ser modeladas tanto paredes e vigas completas, como também detalhes (partes) de vigas (região de descontinuidade isolada, também designada por extremidade truncada). No caso de paredes e vigas completas, os apoios devem ser definidos de modo a que resulte uma estrutura (externamente) isostática (estaticamente determinada) ou hiperestática (estaticamente indeterminada). A transferência de carga nas extremidades truncadas das vigas é introduzida por meio de uma zona de transferência de Saint-Venant especial, que assegura uma distribuição de tensões realista na região de detalhe analisada.
2.2 Apoios e componentes de transmissão de carga
Para modelar a maioria das situações durante o processo de construção, estão disponíveis no CSFM muitos tipos de apoios (Fig. 7) e de componentes utilizados para a transmissão de carga (Fig. 8).
Apoios
O apoio pontual pode ser modelado de várias formas, de modo a garantir que as tensões não ficam localizadas num único ponto, mas distribuídas por uma área maior. A primeira opção é um apoio pontual distribuído (Fig. 7a), que distribui uniformemente a carga na extremidade do elemento ao longo da largura especificada.

O apoio localizado (Fig. 7d), por outro lado, só pode ser colocado no interior de um volume de betão com um raio efetivo definido. Fica depois ligado por elementos rígidos aos nós da malha de armadura situados dentro desse raio. Por conseguinte, é necessário definir uma gaiola de armadura em torno do apoio localizado.
Para uma modelação mais precisa de alguns cenários reais, existem outras duas opções para o apoio pontual. Em primeiro lugar, o apoio pontual com placa de apoio de largura e espessura definidas (Fig. 7b). O material da placa de apoio pode ser especificado e toda a placa de apoio é discretizada em malha de forma independente. Em segundo lugar, está disponível o apoio suspenso (Fig. 7e), que pode ser utilizado para modelar âncoras de elevação ou pernos de elevação.
O apoio linear (Fig. 7c) pode ser definido numa extremidade (especificando o seu comprimento) ou no interior de um elemento (através de uma polilinha). É também possível especificar a sua rigidez e/ou o comportamento não linear (apoio à compressão/tração ou apenas à compressão).
- Consulte as descrições detalhadas em Tipos de apoios no IDEA StatiCa Detail
Componentes de transmissão de carga
A introdução de cargas na estrutura também pode ser modelada de várias formas. No caso de cargas pontuais, pode utilizar-se uma placa de apoio (Fig. 8a), de modo semelhante ao apoio pontual, distribuindo a carga concentrada por uma área maior graças a uma placa de aço com largura e espessura definidas.

A carga pontual pode ser aplicada diretamente na superfície da estrutura com um raio de ação definido (a carga é aplicada aos elementos de betão) ou através de um dispositivo de transmissão especial designado carga localizada (Fig. 8b e Fig. 9). A carga localizada permite transmitir a carga diretamente à armadura definida que se encontra na área do raio efetivo. Para garantir o correto funcionamento da carga localizada, é necessário definir (nas propriedades da armadura) um grupo de varões que ficará interligado com a carga. Quando a armadura interligada não está definida, o mecanismo de transferência de carga é igual ao de uma carga pontual colocada na superfície de um elemento, sendo a carga transferida pelas restrições para os elementos de betão e não diretamente para a armadura.

As âncoras de elevação ou os pernos de elevação podem ser modelados por uma carga suspensa (Fig. 8c). O utilizador pode recorrer a uma área parcialmente carregada (Fig. 8d), que permite aumentar a capacidade resistente do betão à compressão de acordo com o Eurocódigo (não é possível utilizar este tipo de componente de transmissão de carga quando está definida a norma ACI). A estrutura pode também ser carregada com cargas lineares nas extremidades, por uma polilinha geral ou por cargas de superfície. A aplicação Detail consegue considerar automaticamente o peso próprio na análise.
2.3 Transferência de esforços nas extremidades aparadas das vigas
Em muitos casos, é necessário modelar apenas algum detalhe (parte) de um elemento estrutural, como o apoio de uma viga, uma abertura a meio da viga, etc. Esta abordagem pode conduzir a configurações de apoio que são instáveis, mas admissíveis no IDEA StatiCa Detail (incluindo o caso de ausência de apoios). No entanto, nestes casos, é também necessário modelar a secção que representa a ligação à região B adjacente, incluindo os esforços internos nesta secção que satisfazem o equilíbrio. Em certos casos (por exemplo, na modelação do apoio de uma viga), estes esforços internos podem ser determinados automaticamente pelo programa.
Entre a região B e a região de descontinuidade analisada, é criada automaticamente uma zona de transferência de Saint-Venant, para garantir uma distribuição realista de tensões na região analisada. A largura da zona de transferência é determinada como metade da altura da secção. Como a única finalidade da zona de Saint-Venant é obter uma distribuição de tensões adequada no restante modelo, não são apresentados resultados desta zona na verificação e não são considerados aqui critérios de paragem.
O bordo da zona de Saint-Venant que representa a extremidade aparada da viga é modelado como rígido, ou seja, pode rodar, mas deve permanecer plano. Isto é feito ligando todos os nós de elementos finitos do bordo a um nó independente situado no centro de gravidade da secção, através de um elemento de corpo rígido (RBE2). Os esforços internos do elemento podem então ser aplicados neste nó, como se mostra na Fig. 10.
2.4 Modificação geométrica de secções transversais
A redução da secção transversal é efetuada automaticamente para estruturas definidas como uma viga ou uma ligação de pórtico (definidas pelo eixo x e por uma secção transversal). Esta modificação é aplicada automaticamente a secções transversais com banzos muito largos (Fig. 11) e baseia-se na hipótese de que um campo de tensões de compressão se expandiria a partir da parede segundo um ângulo de 45°, pelo que a largura reduzida acima referida seria a largura máxima capaz de transferir cargas
Note-se que o método de determinação da largura efetiva do banzo implementado no CSFM é diferente do indicado em 5.3.2.1 da EN 1992-1-1 (2015) ou em 9.2.4.4 da ACI 318-19. Além da geometria, a largura efetiva do banzo baseada no Eurocódigo é explicitamente afetada pelos comprimentos dos vãos e pelas condições de fronteira de uma estrutura.

No caso de mísulas situadas no plano horizontal (Fig. 12), cada mísula é dividida em cinco secções ao longo do seu comprimento. Cada uma destas secções é depois modelada como uma parede de espessura constante, igual à espessura real a meio da respetiva secção.

2.5 Tipos de elementos finitos
O modelo de análise não linear (inelástica) por elementos finitos é criado a partir de vários tipos de elementos finitos, utilizados para modelar o betão, a armadura e a aderência entre ambos. Os elementos de betão e de armadura são primeiro discretizados em malha de forma independente e depois ligados entre si através de restrições multipontos (elementos MPC). Isto permite que a armadura ocupe uma posição relativa arbitrária em relação ao betão. Se for necessário calcular a verificação do comprimento de ancoragem, inserem-se elementos de aderência e de mola de extremidade de ancoragem entre a armadura e os elementos MPC.

Betão
O betão é modelado com elementos de casca quadrilaterais e triangulares, CQUAD4 e CTRIA3. Estes podem ser definidos por quatro ou três nós, respetivamente. Considera-se que nestes elementos existe apenas um estado plano de tensão, ou seja, não são consideradas as tensões ou deformações na direção z.
Cada elemento tem quatro ou três pontos de integração, colocados aproximadamente a 1/4 da sua dimensão. Em cada ponto de integração de cada elemento, são calculadas as direções das deformações principais α1, α2. Em ambas as direções, as tensões principais σc1, σc2 e as rigidezes E1, E2 são avaliadas de acordo com o diagrama tensão-deformação do betão especificado, conforme a Fig. 2. Deve notar-se que o efeito do amolecimento à compressão acopla o comportamento da direção principal de compressão ao estado real da outra direção principal.
Armadura
Os varões são modelados por elementos 1D de dois nós do tipo “barra” (CROD), que têm apenas rigidez axial. Estes elementos são ligados a elementos especiais de “aderência”, desenvolvidos para modelar o comportamento de escorregamento entre um varão de armadura e o betão envolvente. Estes elementos de aderência são, por sua vez, ligados por elementos MPC (restrição multipontos) à malha que representa o betão. Esta abordagem permite a discretização em malha independente da armadura e do betão, ficando a sua interligação assegurada posteriormente.
Elementos de aderência
O comprimento de ancoragem é verificado através da introdução, no modelo de elementos finitos, das tensões de corte de aderência entre os elementos de betão (2D) e os elementos de varão de armadura (1D). Para este efeito, foi desenvolvido um tipo de elemento finito de “aderência”.
A definição do elemento de aderência é semelhante à de um elemento de casca (CQUAD4). Também é definido por 4 nós, mas, ao contrário de uma casca, apenas tem rigidez de corte não nula entre os dois nós superiores e os dois nós inferiores. No modelo, os nós superiores são ligados aos elementos que representam a armadura e os nós inferiores aos que representam o betão. O comportamento deste elemento é descrito pela tensão de aderência, τb, como uma função bilinear do escorregamento entre os nós superiores e inferiores, δu, ver Fig. 14.
O módulo de rigidez elástica da relação aderência-escorregamento, Gb, é definido da seguinte forma:
onde:
kg coeficiente dependente da superfície do varão de armadura (por defeito kg = 0,2)
Ec módulo de elasticidade do betão (considerado como Ecm no caso da EN)
Ø o diâmetro do varão de armadura
Os valores de cálculo (valores majorados) da tensão de corte de aderência última, fbd, fornecidos nas normas de cálculo selecionadas, EN 1992-1-1 ou ACI 318-19, são utilizados para verificar o comprimento de ancoragem. O endurecimento do ramo plástico é calculado por defeito como Gb/105.
Mola de ancoragem
A existência de extremidades de ancoragem nos varões de armadura (isto é, dobras, ganchos, laços…), que cumpram as prescrições das normas de cálculo, permite reduzir o comprimento de ancoragem básico dos varões (lb,net) por um determinado fator β (designado abaixo como “coeficiente de ancoragem”). O valor de cálculo do comprimento de ancoragem (lb) é então calculado da seguinte forma:
A redução pretendida de lb,net é equivalente à ativação do varão de armadura na sua extremidade a uma percentagem da sua capacidade máxima, dada pelo coeficiente de redução de ancoragem, como se mostra na Fig. 15a.
A redução do comprimento de ancoragem é incluída no modelo de elementos finitos por meio de um elemento de mola na extremidade do varão (Fig. 15), definido pelo modelo constitutivo apresentado na Fig. 15b. A força máxima transmitida por esta mola (Fau) é:
onde :
β o coeficiente de ancoragem em função do tipo de ancoragem,
As a secção transversal do varão de armadura,
fyd o valor de cálculo (valor majorado) da tensão de cedência da armadura.
2.6 Geração da malha
Os elementos finitos são implementados internamente e o modelo de análise é gerado automaticamente, sem necessidade de intervenção especializada do utilizador. A geração da malha é uma parte importante deste processo.
Betão
Todos os elementos de betão são discretizados em conjunto. A aplicação calcula automaticamente a dimensão recomendada dos elementos finitos, com base na dimensão e na forma da estrutura, tendo em conta o diâmetro da maior barra de armadura. Além disso, a dimensão recomendada garante a geração de, no mínimo, 4 elementos finitos nas partes esbeltas da estrutura, como pilares esbeltos ou lajes finas, de modo a assegurar resultados fiáveis nestas zonas. O número máximo de elementos finitos de betão está limitado a 5000, mas este valor é suficiente para obter a dimensão recomendada na maioria das estruturas. O projetista pode sempre definir uma dimensão dos elementos de betão personalizada, modificando o multiplicador da dimensão predefinida da malha.
Armadura
A armadura é dividida em elementos com um comprimento aproximadamente igual à dimensão dos elementos de betão. Depois de geradas as malhas da armadura e do betão, estas são interligadas por elementos de aderência, conforme apresentado na Fig. 13.
Placas de apoio
As partes estruturais auxiliares, como as placas de apoio, são discretizadas de forma independente. A dimensão destes elementos é calculada como 2/3 da dimensão dos elementos de betão na zona da ligação. Os nós da malha da placa de apoio são depois ligados aos nós de bordo da malha de betão através de elementos de restrição de interpolação (RBE3).
Cargas e apoios
As cargas localizadas e os apoios localizados são ligados apenas à armadura, conforme apresentado na Fig. 16. Por isso, é necessário definir armadura na sua envolvente. A ligação a todos os nós da armadura dentro do raio efetivo é assegurada por elementos RBE3 com peso igual.

Os apoios lineares e as cargas lineares são ligados aos nós da malha de betão através de elementos RBE3, com base na largura especificada ou no raio efetivo. O peso das ligações é inversamente proporcional à distância ao apoio ou ao ponto de aplicação da carga.
- Saiba mais sobre a interligação entre as cargas individuais e a malha em Descrição geral dos impulsos de carga na aplicação Detail
2.7 Método de resolução e algoritmo de controlo de carga
Utiliza-se um algoritmo padrão de Newton-Raphson (NR) completo para obter a solução de um problema não linear do Método dos Elementos Finitos.
Em geral, o algoritmo NR não converge com frequência quando a carga total é aplicada num único passo. Uma abordagem habitual, que é também a utilizada neste caso, consiste em aplicar a carga sequencialmente em vários incrementos e utilizar o resultado do incremento de carga anterior como ponto de partida da solução de Newton do incremento seguinte. Para este fim, foi implementado um algoritmo de controlo de carga sobre o Newton-Raphson. Caso as iterações NR não convirjam, o incremento de carga atual é reduzido para metade do seu valor e as iterações NR são repetidas.
Um segundo objetivo do algoritmo de controlo de carga é determinar a carga crítica, que corresponde a determinados "critérios de paragem" – nomeadamente a deformação máxima no betão, o deslizamento máximo nos elementos de aderência, o deslocamento máximo nos elementos de ancoragem e a deformação máxima nas barras de armadura. A carga crítica é determinada através do método da bissecção. Caso o critério de paragem seja excedido em qualquer ponto do modelo, os resultados do último incremento de carga são descartados e é calculado um novo incremento com metade da dimensão do anterior. Este processo é repetido até que a carga crítica seja determinada com uma determinada tolerância de erro.
Para o betão, o critério de paragem foi definido como uma deformação de 5% à compressão (ou seja, cerca de uma ordem de grandeza superior à deformação de rotura real do betão) e de 7% à tração nos pontos de integração dos elementos de casca. À tração, o valor foi definido de modo a permitir que a deformação limite da armadura, que é normalmente de cerca de 5% sem considerar o enrijecimento à tração, seja atingida primeiro. À compressão, o valor foi escolhido de entre várias alternativas por ser suficientemente elevado para que os efeitos do esmagamento sejam visíveis nos resultados, mas suficientemente reduzido para não causar demasiados problemas de estabilidade numérica.
Para a armadura, o critério de paragem é definido em termos de tensões. Uma vez que as tensões são modeladas na fenda, o critério à tração corresponde à resistência à tração da armadura, tendo em conta o coeficiente de segurança. O mesmo valor é utilizado para o critério à compressão.
O critério de paragem nos elementos de aderência e nas molas de ancoragem é α·δumax, em que δumax é o deslizamento máximo utilizado nas verificações normativas e α = 10.
2.8 Apresentação dos resultados
Os resultados são apresentados de forma independente para o betão e para os elementos de armadura. Os valores de tensão e deformação no betão são calculados nos pontos de integração dos elementos de casca. No entanto, como não é prático apresentar os dados dessa forma, os resultados são apresentados por defeito nos nós, como o valor máximo da tensão de compressão dos pontos de integração de Gauss adjacentes nos elementos ligados (Fig. 18). Note-se que esta representação pode subestimar localmente os resultados nos bordos comprimidos dos elementos, caso a dimensão do elemento finito seja semelhante à altura da zona comprimida.
Fig. 18 - Elemento finito de betão com pontos de integração e nós: apresentação dos resultados para o betão nos nós e nos elementos finitos.
Os resultados para os elementos finitos de armadura são constantes em cada elemento (um valor – por exemplo, para as tensões no aço) ou lineares (dois valores – para os resultados de aderência). Para elementos auxiliares, como os elementos das placas de apoio, apenas são apresentadas as deformações.
3 Verificação do modelo
3.1 Estados limite e cálculo da largura de fendas
A avaliação da estrutura através do CSFM é realizada por duas análises distintas: uma para as combinações de ações em estado limite de utilização e outra para as combinações de ações em estado limite último. A análise em serviço pressupõe que o comportamento último do elemento é satisfatório e que as condições de cedência do material não serão atingidas aos níveis de carga de utilização. Esta abordagem permite utilizar modelos constitutivos simplificados (com um ramo linear no diagrama tensão-deformação do betão) na análise em serviço, para melhorar a estabilidade numérica e a velocidade de cálculo. Por conseguinte, recomenda-se a utilização do fluxo de trabalho apresentado abaixo, no qual a análise em estado limite último é realizada como primeiro passo.
Análise em estado limite último
As diferentes verificações exigidas por cada norma de cálculo são avaliadas com base nos resultados diretos fornecidos pelo modelo. As verificações ULS são realizadas para a resistência do betão, a resistência da armadura e a ancoragem (tensões de corte de aderência).
Para garantir que um elemento estrutural tem um dimensionamento eficiente, recomenda-se vivamente realizar uma análise preliminar que considere os seguintes passos:
- Escolher uma seleção das combinações de ações mais críticas.
- Calcular apenas as combinações de ações em Estado Limite Último (ULS).
- Utilizar uma malha grosseira (aumentando o multiplicador da dimensão de malha predefinida em Setup (Fig. 19)).
Um modelo deste tipo é calculado muito rapidamente, permitindo aos projetistas rever eficientemente a pormenorização do elemento estrutural e repetir a análise até que todos os requisitos de verificação sejam cumpridos para as combinações de ações mais críticas. Uma vez cumpridos todos os requisitos de verificação desta análise preliminar, sugere-se incluir as combinações de ações últimas completas e utilizar uma dimensão de malha fina (a dimensão de malha recomendada pelo programa). O utilizador pode alterar a dimensão da malha através do multiplicador, que pode assumir valores entre 0,5 e 5 (Fig. 19).
Os resultados e verificações básicos (tensão, deformação e utilização (ou seja, o valor calculado/valor limite da norma), bem como a direção das tensões principais no caso de elementos de betão) são apresentados através de diferentes gráficos, nos quais a compressão é geralmente representada a vermelho e a tração a azul. Podem ser destacados os valores mínimos e máximos globais para toda a estrutura, bem como os valores mínimos e máximos para cada parte definida pelo utilizador. Num separador distinto do programa, podem ser apresentados resultados avançados, tais como valores tensoriais, deformadas da estrutura e taxas de armadura (efetivas e geométricas) utilizadas no cálculo do enrijecimento à tração dos varões de armadura. Além disso, podem ser apresentadas as cargas e as reações para combinações ou casos de carga selecionados.
Análise em estado limite de utilização
As verificações SLS são realizadas para a limitação de tensões, a largura de fendas e os limites de deslocamento. As tensões são verificadas nos elementos de betão e de armadura de acordo com a norma aplicável, de forma semelhante à especificada para o ULS.
A análise em serviço contém determinadas simplificações dos modelos constitutivos utilizados na análise em estado limite último. Assume-se aderência perfeita, ou seja, o comprimento de ancoragem não é verificado em serviço. Além disso, o ramo plástico da curva tensão-deformação do betão à compressão é desprezado, sendo o ramo elástico linear e infinito. Estas simplificações melhoram a estabilidade numérica e a velocidade de cálculo e não reduzem a generalidade da solução, desde que os limites de tensão resultantes nos materiais em serviço se situem claramente abaixo dos respetivos pontos de cedência (conforme exigido pelas normas). Por conseguinte, os modelos simplificados utilizados em serviço só são válidos se todos os requisitos de verificação forem cumpridos.
Cálculo da abertura de fendas e Enrijecimento à tração
Cálculo da abertura de fendas
Existem duas formas de calcular a abertura de fendas - fendilhação estabilizada e não estabilizada. De acordo com o rácio geométrico de armadura em cada parte da estrutura, é decidido qual o tipo de modelo de cálculo de fendas que será utilizado (TCM para fendilhação estabilizada e POM para modelo de fendilhação não estabilizada).
Embora o CSFM produza um resultado direto para a maioria das verificações (por exemplo, capacidade do elemento, deformações…), os resultados de abertura de fendas são calculados a partir dos resultados de deformação da armadura fornecidos diretamente pela análise de elementos finitos, seguindo a metodologia descrita na Fig. 20. É considerada uma cinemática de fenda sem escorregamento (abertura pura da fenda) (Fig. 20a), o que é consistente com as principais premissas do modelo. As direções principais das tensões e deformações definem a inclinação das fendas (θr = θs= θe). De acordo com a (Fig. 20b), a abertura de fenda (w) pode ser projetada na direção do varão de armadura (wb), obtendo-se:
onde θb é a inclinação do varão.
Note-se que o programa apresenta valores de θr e θb < π/2. Isto significa que a equação anterior é válida para os casos em que a armadura e a fenda atravessam quadrantes diferentes do sistema de coordenadas cartesianas, como mostrado na Fig. 20, onde a armadura atravessa os quadrantes I e III e a fenda os quadrantes II e IV. Para os casos em que a armadura e a fenda atravessam os mesmos quadrantes, a equação tem de ser modificada da seguinte forma:
A componente wb é calculada de forma consistente com base nos modelos de enrijecimento à tração, integrando as deformações da armadura. Nas regiões com padrões de fendilhação totalmente desenvolvidos, as deformações médias calculadas (em) ao longo dos varões de armadura são diretamente integradas ao longo do espaçamento entre fendas (sr), como indicado na (Fig. 20c). Embora esta abordagem para calcular as direções das fendas não corresponda à posição real das fendas, ela ainda assim fornece valores representativos que conduzem a resultados de abertura de fenda comparáveis aos valores de abertura de fenda exigidos pelas normas, na posição do varão de armadura.
São observadas situações especiais em cantos côncavos da estrutura calculada. Neste caso, o canto predefine a posição de uma única fenda que se comporta de forma não estabilizada antes de se desenvolverem fendas adjacentes adicionais. Estas fendas adicionais desenvolvem-se geralmente após o intervalo de serviço (Mata-Falcón 2015), o que justifica o cálculo das aberturas de fenda nessa região como se fossem não estabilizadas (Fig. 21).

Enrijecimento à tração
A implementação do enrijecimento à tração distingue entre casos de padrões de fendilhação estabilizados e não estabilizados. Em ambos os casos, o betão é considerado totalmente fendilhado antes do carregamento, por defeito.
Fendilhação estabilizada
Em padrões de fendilhação totalmente desenvolvidos, o enrijecimento à tração é introduzido utilizando o Modelo de Tirante em Tração (Tension Chord Model, TCM) (Marti et al. 1998; Alvarez 1998) – Fig. 22a – que demonstrou fornecer excelentes previsões de resposta apesar da sua simplicidade (Burns 2012). O TCM assume uma relação de tensão de aderência-escorregamento em degraus, rígida-perfeitamente plástica, com τb = τb0 =2 fctm para σs ≤ fy e τb =τb1 = fctm para σs > fy. Tratando cada varão de armadura como um tirante em tração – Fig. 22b e Fig. 22a – a distribuição da tensão de aderência, das tensões no aço e no betão e, portanto, a distribuição de deformações entre duas fendas pode ser determinada para qualquer valor dado das tensões (ou deformações) máximas do aço nas fendas.
Para sr = sr0, uma nova fenda pode ou não formar-se, porque no centro entre duas fendas σc1 = fct. Consequentemente, o espaçamento entre fendas pode variar por um fator de dois, ou seja, sr = λsr0, com l = 0.5…1.0. Assumindo um determinado valor para λ, a deformação média do tirante (εm) pode ser expressa em função das tensões máximas na armadura (isto é, tensões nas fendas, σsr). Para o diagrama tensão-deformação bilinear idealizado para os varões de armadura considerado por defeito no CSFM, são obtidas as seguintes expressões analíticas fechadas (Marti et al. 1998):
onde:
Esh o módulo de endurecimento do aço Esh = (ft – fy)/(εu – fy /Es) ,
Es módulo de elasticidade da armadura,
Ø diâmetro do varão de armadura,
sr espaçamento entre fendas,
σsr tensões na armadura nas fendas,
σs tensões reais na armadura,
fy tensão de cedência da armadura.
A implementação do CSFM no Idea StatiCa Detail considera, por defeito, o espaçamento médio entre fendas ao realizar a análise de campo de tensões assistida por computador. O espaçamento médio entre fendas é considerado como 2/3 do espaçamento máximo entre fendas (λ = 0.67), o que segue as recomendações feitas com base em ensaios de flexão e tração (Broms 1965; Beeby 1979; Meier 1983). Deve notar-se que os cálculos de abertura de fenda consideram um espaçamento máximo entre fendas (λ = 1.0), de modo a obter valores conservadores.
A aplicação do TCM depende do rácio de armadura e, por conseguinte, a atribuição de uma área de betão apropriada, atuando em tração entre as fendas, a cada varão de armadura é crucial. Foi desenvolvido um procedimento numérico automático para definir o rácio de armadura efetivo correspondente (ρeff = As/Ac,eff) para qualquer configuração, incluindo armadura inclinada (Fig. 23).

Fendilhação não estabilizada
As fendas existentes em regiões com rácios geométricos de armadura inferiores a ρcr, ou seja, a quantidade mínima de armadura para a qual a armadura é capaz de suportar a carga de fendilhação sem ceder, são geradas por ações não mecânicas (por exemplo, retração) ou pela propagação de fendas controladas por outra armadura. O valor desta armadura mínima é obtido da seguinte forma:
onde:
fy tensão de cedência da armadura,
fct resistência à tração do betão,
n coeficiente de homogeneização, n = Es / Ec .
Para betão e aço de armadura convencionais, ρcr corresponde a aproximadamente 0,6%.
Para estribos com rácios de armadura abaixo de ρcr, a fendilhação é considerada não estabilizada e o enrijecimento à tração é implementado através do Modelo de Arrancamento (Pull-Out Model, POM) descrito na Fig. 22b. Este modelo analisa o comportamento de uma única fenda, considerando que não existe interação mecânica entre fendas separadas, desprezando a deformabilidade do betão à tração e assumindo a mesma relação de tensão de aderência-escorregamento em degraus, rígida-perfeitamente plástica, utilizada pelo TCM. Isto permite obter a distribuição de deformação da armadura (εs) na vizinhança da fenda para qualquer tensão máxima do aço na fenda (σsr) diretamente por equilíbrio. Dado que o espaçamento entre fendas é desconhecido para um padrão de fendilhação não totalmente desenvolvido, a deformação média (εm) é calculada, para qualquer nível de carga, sobre a distância entre pontos com escorregamento nulo quando o varão de armadura atinge a sua resistência à tração (ft) na fenda (lε,avg na Fig. 22b), obtendo-se as seguintes relações:
Os modelos propostos permitem calcular o comportamento da armadura aderente, que é finalmente considerado na análise. Este comportamento (incluindo o enrijecimento à tração) para o aço de armadura europeu mais comum (B500B, com ft / fy = 1,08 e εu = 5%) está ilustrado na Fig. 22c-d.
4 Verificações estruturais de acordo com o Eurocódigo
A avaliação da estrutura com o CSFM é realizada através de duas análises distintas: uma para o estado limite de utilização e outra para as combinações de ações em estado limite último. A análise em estado limite de utilização assume que o comportamento último do elemento é satisfatório e que as condições de cedência do material não serão atingidas aos níveis de carga de utilização. Esta abordagem permite utilizar modelos constitutivos simplificados (com um ramo linear do diagrama tensão-deformação do betão) na análise em estado limite de utilização, de modo a melhorar a estabilidade numérica e a velocidade de cálculo.
4.1 Modelos de materiais (EN)
Betão - ULS
O modelo de betão implementado no CSFM baseia-se nas leis constitutivas de compressão uniaxial prescritas na EN 1992-1-1 para o dimensionamento de secções transversais, que dependem apenas da resistência à compressão. O diagrama parábola-retângulo especificado na EN 1992-1-1 Cl. 3.1.7 (1) (Fig. 24a) é utilizado por defeito no CSFM, mas os projetistas podem também escolher uma relação elástica-plástica perfeita mais simplificada, de acordo com a EN 1992-1-1 Cl. 3.1.7 (2) (Fig. 24b). A resistência à tração é desprezada, tal como no dimensionamento clássico de betão armado.
A implementação do CSFM no IDEA StatiCa Detail não considera um critério de rotura explícito em termos de deformações para o betão à compressão (ou seja, depois de atingida a tensão máxima, considera um ramo plástico com εcu2 (εcu3) com valor de 5%, enquanto a EN 1992-1-1 assume uma deformação última inferior a 0,35%). Esta simplificação não permite verificar a capacidade de deformação de estruturas que entram em rotura por compressão. No entanto, a sua capacidade última fcd, de acordo com a EN 1992-1-1 3.1.3, é corretamente prevista quando, além do fator de betão fissurado (kc2, definido na (Fig. 25)), se considera o aumento da fragilidade do betão com o aumento da sua resistência, por meio do fator de redução definido no fib Model Code 2010 do seguinte modo:
em que:
αcc é o coeficiente que tem em conta os efeitos de longo prazo na resistência à compressão e os efeitos desfavoráveis resultantes da forma de aplicação da carga. É definido de acordo com a EN 1992-1-1 Cl. 3.1.6 (1). O valor por defeito é 1,0.
kc é o fator de redução global da resistência à compressão
kc2 é o fator de redução devido à presença de fissuração transversal
fck é a resistência característica do betão em cilindro (em MPa para a definição de ).
Betão - SLS
A análise em estado limite de utilização contém algumas simplificações dos modelos constitutivos utilizados na análise em estado limite último. O ramo plástico da curva tensão-deformação do betão à compressão é desprezado, sendo o ramo elástico linear e infinito. A lei de amolecimento à compressão não é considerada. Estas simplificações melhoram a estabilidade numérica e a velocidade de cálculo e não reduzem a generalidade da solução, desde que os limites de tensão resultantes nos materiais em estado limite de utilização estejam claramente abaixo dos respetivos limites de cedência (conforme exigido pelo Eurocódigo). Assim, os modelos simplificados utilizados para o estado limite de utilização só são válidos se todos os requisitos de verificação forem cumpridos.

Efeitos de longo prazo
Na análise em estado limite de utilização, os efeitos de longo prazo do betão são considerados através de um coeficiente de fluência efetivo infinito (, com o valor de 2,5 por defeito), que modifica o módulo de elasticidade secante do betão (Ecm) de acordo com a EN 1992-1-1, secção 3.1.4 (3) e 7.4.3 (5), respetivamente, do seguinte modo:
Ao considerar os efeitos de longo prazo, calcula-se primeiro um passo de carga com todas as ações permanentes considerando o coeficiente de fluência (ou seja, utilizando o módulo de elasticidade efetivo do betão, Ec,eff) e, em seguida, calculam-se as ações adicionais sem o coeficiente de fluência (ou seja, utilizando Ecm). Além disso, para realizar as verificações de curto prazo, efetua-se outro cálculo em que todas as ações são calculadas sem o coeficiente de fluência. Ambos os cálculos, para as verificações de longo e curto prazo, estão representados na Fig. 26.
Os coeficientes de fluência são definidos pelo utilizador nas propriedades do material e devem ser calculados de acordo com a EN 1992-1-1, Fig. 3.1.
Armadura
Por defeito, considera-se o diagrama tensão-deformação bilinear idealizado para os varões de armadura nus, definido na EN 1992-1-1, secção 3.2.7 (Fig. 27). A definição deste diagrama requer apenas o conhecimento das propriedades básicas da armadura na fase de dimensionamento (classe de resistência e de ductilidade). Sempre que conhecida, pode ser considerada a relação tensão-deformação real da armadura (laminada a quente, endurecida a frio, temperada e autorrevenida, …). O diagrama tensão-deformação da armadura pode ser definido pelo utilizador, mas, neste caso, não é possível considerar o efeito de enrijecimento à tração (não é possível calcular a largura de fendas). A utilização do diagrama tensão-deformação com um ramo superior horizontal não permite a verificação da durabilidade estrutural. Por isso, é necessária a verificação manual dos requisitos normativos de ductilidade.
O enrijecimento à tração (Fig. 28) é considerado automaticamente através da modificação da relação tensão-deformação de entrada do varão de armadura nu, de forma a captar a rigidez média dos varões embebidos no betão (εm).
4.2 Coeficientes de segurança
O Método do Campo de Tensões Compatível está em conformidade com as normas de projeto modernas. Como os modelos de cálculo utilizam apenas propriedades de materiais normalizadas, o formato dos coeficientes parciais de segurança prescrito nas normas de projeto pode ser aplicado sem qualquer adaptação. Desta forma, as ações de entrada são majoradas e as propriedades características dos materiais são reduzidas através dos respetivos coeficientes de segurança prescritos nas normas, exatamente como na análise convencional de betão. Os valores dos coeficientes de segurança dos materiais prescritos na EN 1992-1-1, cap. 2.4.2.4, estão definidos por predefinição, mas o utilizador pode alterar os coeficientes de segurança nas Definições de norma e de cálculo (Fig. 29).

Os coeficientes de segurança das ações têm de ser definidos pelo utilizador nas Regras de combinação para cada combinação não linear de casos de carga (Fig. 30). Para todos os modelos implementados no Idea StatiCa Detail, os coeficientes parciais de segurança já se encontram predefinidos.

Utilizando combinações definidas pelo utilizador de coeficientes parciais de segurança adequados, os utilizadores podem também calcular com o CSFM recorrendo ao método do coeficiente global de resistência (Navrátil et al. 2017), mas esta abordagem raramente é utilizada na prática de projeto. Algumas diretrizes recomendam a utilização do método do coeficiente global de resistência para a análise não linear. No entanto, em análises não lineares simplificadas (como o CSFM), que requerem apenas as propriedades dos materiais utilizadas nos cálculos manuais convencionais, continua a ser preferível utilizar o formato dos coeficientes parciais de segurança.
4.3 Análise do estado limite último
As diferentes verificações exigidas pela EN 1992-1-1 são avaliadas com base nos resultados diretos fornecidos pelo modelo. As verificações ULS são realizadas para a resistência do betão, a resistência da armadura e a ancoragem (tensões de corte de aderência).
A resistência do betão à compressão é avaliada como a razão entre a tensão principal de compressão máxima σc = σc2 obtida da análise por EF e o valor limite σc,lim = fcd.
A resistência da armadura é avaliada à tração e à compressão como a razão entre a tensão na armadura nas fendas σsr e o valor limite especificado σs,lim:
em que:
fyk tensão de cedência da armadura de acordo com a EN 1992-1-1 Cl. 3.2.3,
k a razão entre a resistência à tração ftk e a tensão de cedência,
γs é o coeficiente parcial de segurança para a armadura
A tensão de corte de aderência é avaliada de forma independente como a razão entre a tensão de aderência τb calculada pela análise por EF e a tensão resistente última de aderência fbd, de acordo com a EN 1992-1-1 cap. 8.4.2:
em que:
fctd é o valor de cálculo da resistência à tração do betão de acordo com a EN 1992-1-1 Cl. 3.1.6 (2). Devido à fragilidade crescente do betão de maior resistência, fctk,0.05 é limitado ao valor para C60/75 de acordo com a EN 1992-1-1 Cl. 8.4.2 (2)
η1 é um coeficiente relacionado com a qualidade das condições de aderência e com a posição do varão durante a betonagem (Fig. 31).
η1 = 1,0 quando se obtêm condições de aderência ‘boas’ e
η1 = 0,7 para todos os outros casos e para varões em elementos estruturais executados com cofragens deslizantes, a menos que se possa demonstrar que existem condições de aderência ‘boas’
η2 está relacionado com o diâmetro do varão:
η2 = 1,0 para Ø ≤ 32 mm
η2 = (132 - Ø)/100 para Ø > 32 mm
No IDEA StatiCa Detail, as condições de aderência são consideradas de acordo com a Fig. 31 c) e d). A direção de betonagem pode ser definida na aplicação para cada item do projeto, da seguinte forma.

Estas verificações são realizadas tendo em conta os valores limite adequados para as respetivas partes da estrutura (ou seja, apesar de existir uma única classe tanto para o betão como para o material da armadura, os diagramas tensão-deformação finais diferem em cada parte da estrutura devido aos efeitos de enrijecimento à tração e de amolecimento à compressão).
Existe também a opção de modelar varões lisos. Pode encontrar mais informações aqui: Varões lisos em Detail
Força total Ftot e força limite Flim
A força total Ftot é um resultado da análise por elementos finitos e pode ser definida de duas formas.
em que As é a área do varão de armadura e σs é a tensão no varão.
Ou como a soma da força de ancoragem Fa com a força de aderência Fbond.
em que Fa é a força real na mola de ancoragem e Fbond é a força de aderência que pode ser obtida integrando a tensão de aderência τb ao longo do comprimento l do varão de armadura.
Cs é o perímetro do varão de armadura.
A força limite Flim é a força máxima no elemento do varão, considerando a resistência última do varão e também as condições de ancoragem (aderência entre o betão e a armadura e ganchos de ancoragem, laços, etc.).
em que Cs é o perímetro do varão de armadura e l é o comprimento desde o início do varão até ao ponto de interesse.

em que Flim,add é a força adicional calculada a partir da amplitude do ângulo entre elementos vizinhos. Flim,2 tem de ser sempre inferior a Fu.
Os tipos de ancoragem disponíveis no CSFM incluem varão reto (ou seja, sem redução da extremidade de ancoragem), dobra, gancho, laço, varão transversal soldado, aderência perfeita e varão contínuo. Todos estes tipos, juntamente com os respetivos coeficientes de ancoragem β, são apresentados na Fig. 32 para a armadura longitudinal e na Fig. 33 para os estribos. Os valores dos coeficientes de ancoragem adotados estão de acordo com a EN 1992-1-1 secção 8.4.4 Quadro 8.2. Importa referir que, apesar das diferentes opções disponíveis, o CSFM distingue três tipos de extremidades de ancoragem: (i) sem redução do comprimento de ancoragem, (ii) uma redução de 30 % do comprimento de ancoragem no caso de uma ancoragem normalizada e (iii) aderência perfeita.


Para cumprir a EN 1992-1-1, deve ser utilizada a mola de ancoragem no cálculo. A mola de ancoragem é modificada pelo coeficiente β, pelo que o utilizador deve selecionar um dos tipos de ancoragem disponíveis ao definir as condições de início e de fim da armadura.
4.4 Áreas parcialmente carregadas (PLA)
No projeto de estruturas de betão, deparamo-nos com dois grandes grupos de áreas parcialmente carregadas (PLA): o primeiro inclui os apoios, enquanto o segundo é constituído pelas zonas de ancoragem. De acordo com as normas atualmente em vigor para o projeto de estruturas de betão armado, EN 1992-1-1, cap. 6.7 (Fig. 34), nas áreas parcialmente carregadas devem ser considerados o esmagamento local do betão e as forças de tração transversais. Para uma carga uniformemente distribuída sobre uma área Ac0, a capacidade resistente à compressão do betão pode ser aumentada até três vezes, em função da área de distribuição de cálculo Ac1.
A área parcialmente carregada deve ser suficientemente reforçada com armadura transversal, dimensionada para absorver as forças de fendilhamento que ocorrem nessa área. Para o dimensionamento da armadura transversal em áreas parcialmente carregadas, utiliza-se o método Escora-e-tirante, de acordo com o Eurocódigo. Sem a armadura transversal necessária, não é possível considerar o aumento da capacidade resistente à compressão do betão.
Áreas parcialmente carregadas no CSFM
Com o CSFM, é possível dimensionar e verificar estruturas de betão armado, incluindo a influência do aumento da resistência à compressão do betão em áreas parcialmente carregadas. Uma vez que o CSFM é um modelo de parede (2D) e as áreas parcialmente carregadas constituem um problema espacial (3D), foi necessário encontrar uma solução que combinasse estes dois tipos diferentes de problemas (Fig. 35). Se a função “áreas parcialmente carregadas” estiver ativada, a geometria admissível do cone é criada de acordo com o Eurocódigo (Fig. 34). Todas as colisões geométricas são resolvidas integralmente em 3D para a geometria especificada do elemento de betão e para as dimensões de cada PLA. Seguidamente, é criado um modelo de cálculo da área parcialmente carregada.

A modificação do modelo do material revelou-se uma abordagem inadequada, sobretudo porque o mapeamento das propriedades na malha de elementos finitos é problemático. Concluiu-se que uma abordagem independente da malha de elementos finitos constitui uma solução mais adequada. Para a geometria conhecida do cone de compressão, são criadas escoras fictícias absolutamente coerentes (Fig. 35 e Fig. 37). Estas escoras têm propriedades materiais idênticas às do betão utilizado no modelo, incluindo o diagrama tensão-deformação. A forma do cone determina a direção das escoras, que distribuem gradualmente a carga da PLA até à área de distribuição de cálculo. A densidade de área das escoras fictícias é variável em cada parte do cone e acrescenta uma área fictícia de betão na direção da carga. Ao nível da área carregada (Ac0), é acrescentada uma área fictícia de betão de acordo com a relação (em que Areal é a área do apoio assumida no modelo de cálculo 2D), e esta área diminui linearmente até zero em direção à área de distribuição de cálculo (Ac1). Esta solução garante que a tensão de compressão no betão é constante em todo o volume do cone.
A resistência da área parcialmente carregada é aumentada de acordo com a relação entre a área de distribuição de cálculo e a área carregada, estabelecida na EN 1992-1-1 (6.7). Deve ter-se presente que se trata de um modelo de cálculo que não consegue descrever com precisão o estado de tensão numa área parcialmente carregada, cujo fluxo real é muito mais complexo. No entanto, esta solução permite a correta distribuição da carga por todo o modelo, respeitando a capacidade resistente acrescida da área parcialmente carregada. Além disso, introduz corretamente as tensões transversais nesta área.
Ao utilizar a função de áreas parcialmente carregadas para simular o aumento da capacidade resistente à compressão do betão, é necessário efetuar a verificação normativa separadamente, de acordo com a EN 1992-1-1, secção 6.7 (2). As forças de tração transversais (forças de fendilhamento) absorvidas pela armadura são verificadas automaticamente.
4.5 Análise do estado limite de utilização
As verificações SLS são realizadas para a limitação de tensões, a abertura de fendas e os limites de flecha. As tensões são verificadas nos elementos de betão e de armadura de acordo com a EN 1992-1-1, de forma semelhante à especificada para o ULS.
Limitação de tensões
A tensão de compressão no betão deve ser limitada para evitar fendas longitudinais. De acordo com a EN 1992-1-1, cap. 7.2 (2), podem ocorrer fendas longitudinais se o nível de tensão sob a combinação característica de ações exceder o valor k1fck. A tensão de compressão no betão é avaliada como o quociente entre a tensão principal de compressão máxima σc = σc2 obtida da análise por elementos finitos para os estados limites de utilização e o valor limite σc,lim. Então:
em que:
fck resistência característica à compressão do betão em cilindros,
k1 =0,6.
Se a tensão no betão sob as ações quase-permanentes for inferior a k2fck, de acordo com a EN 1992-1-1, cl. 7.2(3), pode admitir-se fluência linear. Se a tensão no betão exceder k2fck, deve ser considerada fluência não linear (ver EN 1992-1-1, cl. 3.1.4). No IDEA StatiCa Detail só pode ser admitida fluência linear de acordo com a EN 1992-1-1, cl. 3.1.4 (3) (ver Modelos de materiais (EN)).
Pode admitir-se que se evita fendilhação ou deformação inaceitável se, sob a combinação característica de ações, a tensão de tração na armadura não exceder k3fyk (EN 1992-1-1, cap. 7.2 (5)). A resistência da armadura é avaliada como o quociente entre a tensão na armadura nas fendas σs = σsr e o valor limite especificado σs,lim:
em que:
fyk tensão de cedência da armadura,
k3 =0,8.
Flecha
As flechas só podem ser avaliadas para paredes ou para vigas isostáticas (estaticamente determinadas) ou hiperestáticas (estaticamente indeterminadas). Nestes casos, é considerado o valor absoluto das flechas (em comparação com o estado inicial antes do carregamento), e o valor máximo admissível das flechas tem de ser definido pelo utilizador. As flechas nas extremidades cortadas não podem ser verificadas, dado que se trata, na prática, de estruturas instáveis em que o equilíbrio é satisfeito pela adição de forças de extremidade e, por conseguinte, as flechas não são realistas. A flecha de curta duração uz,st ou de longa duração uz,lt pode ser calculada e verificada em relação a valores limite definidos pelo utilizador:
em que:
uz flecha de curta ou longa duração calculada por análise por elementos finitos,
uz,lim valor limite da flecha definido pelo utilizador.
Abertura de fendas
A abertura e a orientação das fendas são calculadas apenas para efeitos de longa duração (utilizando Ec,eff) para as combinações em que a avaliação da abertura de fendas esteja ativada. As verificações baseadas em valores limite especificados pelo utilizador, de acordo com o Eurocódigo, são apresentadas da seguinte forma:
em que:
w abertura de fendas calculada por análise por elementos finitos,
wlim valor limite da abertura de fendas definido pelo utilizador.
Existem duas formas de calcular a abertura de fendas (fendilhação estabilizada e não estabilizada). No caso geral (fendilhação estabilizada), a abertura de fendas é calculada por integração das deformações nos elementos 1D das varões de armadura. A direção da fenda é então calculada a partir dos três pontos de integração mais próximos (do centro do elemento finito 1D de armadura considerado) dos elementos 2D de betão. Embora esta abordagem de cálculo das direções das fendas não corresponda à posição real das fendas, fornece ainda valores representativos que conduzem a resultados de abertura de fendas comparáveis com os valores de abertura de fendas exigidos pela norma na posição do varão de armadura.
5 Verificações estruturais de acordo com a ACI 318-19
A avaliação da estrutura com o CSFM é realizada através de duas análises distintas: uma para o estado limite de utilização e outra para as combinações de ações de resistência. A análise em estado limite de utilização assume que o comportamento sob cargas majoradas é satisfatório e que as condições de cedência do material não serão atingidas aos níveis de carga de utilização. Esta abordagem permite utilizar modelos constitutivos simplificados (com um ramo linear do diagrama tensão-deformação do betão) na análise em estado limite de utilização, de modo a melhorar a estabilidade numérica e a velocidade de cálculo.
O CSFM está em conformidade com a ACI 318-19, capítulo 6.8.1.1. Para que o CSFM cumprisse os requisitos da secção 6.8.1.2 da ACI 318-19, foram realizados numerosos ensaios de verificação em diversas universidades. Os artigos individuais que resumem os resultados da verificação e validação podem ser consultados na seguinte ligação.
5.1 Modelos de materiais (ACI)
Betão - Resistência
O modelo de betão implementado para os cálculos de resistência no CSFM baseia-se na curva tensão-deformação parabólica-plástica para o betão, tendo como referência a curva tensão-deformação parabólica da Portland Cement Association descrita em PCA’s Notes on ACI 318-99 Building Code Requirements for Structural Concrete, Figura 6-8. A resistência à tração é desprezada, tal como no dimensionamento clássico de betão armado.

A implementação do CSFM no IDEA StatiCa Detail não considera um critério de rotura explícito em termos de deformações para o betão à compressão (ou seja, depois de atingida a tensão máxima, considera um ramo plástico com εc0 com valor máximo de 5%, enquanto o ACI 318-19 Cl. 22.2.2.1 assume uma deformação última inferior a 0,3%). Esta simplificação não permite verificar a capacidade de deformação de estruturas que entram em rotura por compressão. No entanto, a resistência é corretamente prevista quando, além do fator de betão fendilhado (kc2 definido na (Fig. 39)), se considera o aumento da fragilidade do betão com o aumento da sua resistência, por meio do fator de redução definido no fib Model Code 2010 do seguinte modo:
em que:
α1 é o fator de redução da resistência à compressão do betão definido no ACI 318-19 Cl. 22.2.2.4.1. Ao utilizar um diagrama tensão-deformação parábola-retângulo, é necessário reduzir a tensão máxima de compressão por este fator. Isto uniformiza a distribuição de tensões na zona comprimida de forma que a resistência à compressão resultante seja inferior ou igual à resistência à compressão calculada utilizando um diagrama tensão-deformação com um ramo plástico descendente.
Φc é o fator de redução de resistência para o betão. O valor por defeito é definido de acordo com o ACI 318-19 Tabela 24.2.1 (b)(f).
kc2 é o fator de redução devido à presença de fendilhação transversal.
f'c é a resistência do betão em provete cilíndrico (em MPa para a definição de ).
kc2 é um fator de redução baseado nos mesmos pressupostos do coeficiente da zona nodal βn indicado no ACI 318-19 Tabela 23.9.2, exceto que, no CSFM, a presença de uma tensão principal de tração perpendicular à tensão principal de compressão é verificada para cada elemento finito (e não apenas para os nós do modelo de Escora e tirante).
Betão – Utilização
A análise de utilização contém algumas simplificações dos modelos constitutivos que são utilizados na análise de resistência. O ramo plástico da curva tensão-deformação do betão à compressão é desprezado, enquanto o ramo elástico é linear e infinito. A lei de amolecimento à compressão não é considerada. Estas simplificações melhoram a estabilidade numérica e a velocidade de cálculo e não reduzem a generalidade da solução, desde que os limites de tensão resultantes nos materiais em condições de utilização se situem claramente abaixo dos respetivos pontos de cedência (conforme exigido pelo ACI). Por conseguinte, os modelos simplificados utilizados para a utilização só são válidos se todos os requisitos de verificação forem cumpridos.

Efeitos de longo prazo
O comportamento de longo prazo da estrutura, como as flechas de longo prazo ou o cálculo da largura de fendas causadas por cargas sustentadas, é influenciado pela fluência do betão. O ACI 318-19, no parágrafo 24.2.4.1.3, define o fator dependente do tempo para cargas sustentadas – ξ, que representa o efeito da fluência para uma duração especificada da carga sustentada.
Na aplicação Detail, o módulo de elasticidade Ec é ajustado para determinar o comportamento de longo prazo da estrutura através do fator ξ. O módulo de elasticidade ajustado é designado por Ec,eff – ver Figura 40.
Assumindo que a deformação do elemento é expressa em termos de deformação específica, pode escrever-se que:
em que:
ε0 é a deformação de curto prazo (sem influência da fluência) e εcreep é a deformação causada pela fluência.
Utilizando a lei de Hooke, podemos escrever:
Substituindo e , obtemos:
A duração da carga sustentada para a determinação do fator ξ pode ser definida individualmente para cada combinação de longo prazo em serviço.

As flechas, tensões e larguras de fendas dependentes do tempo são então calculadas com um modelo de material modificado, no qual o efeito do refinamento da compressão é tido em conta automaticamente pela natureza da análise por elementos finitos. Por conseguinte, não é necessário multiplicá-los adicionalmente pelo fator definido em 24.2.4.1.1.
Efeitos de curto prazo
Para realizar as verificações de curto prazo, é efetuado outro cálculo no qual todas as cargas são calculadas sem o fator dependente do tempo para cargas sustentadas. Ambos os cálculos, para as verificações de longo e de curto prazo, estão representados na Fig. 40.
Armadura
Considera-se um diagrama tensão-deformação perfeitamente elastoplástico, com um ponto de cedência definido, para a armadura não pré-esforçada, ver ACI 319-19 CL. 20.2.1. A definição deste diagrama requer apenas o conhecimento das propriedades básicas da armadura – a resistência e o módulo de elasticidade.
O diagrama tensão-deformação da armadura também pode ser definido pelo utilizador, mas, neste caso, não é possível considerar o efeito de enrijecimento à tração (não é possível calcular a largura de fendas).

em que:
Φs é o fator de redução de resistência para a armadura. O valor por defeito é definido de acordo com o ACI 318-19 Tabela 24.2.1.
fy é a tensão de cedência da armadura
Es é o módulo de elasticidade da armadura
Seleciona-se 10% como a deformação limite à qual o cálculo é interrompido. Isto é considerado seguro com base na ASTM A955/A955M-20c Artigo 7.
O enrijecimento à tração (Fig. 43) é considerado automaticamente através da modificação da relação tensão-deformação introduzida para a varão de armadura nu, de modo a captar a rigidez média dos varões embebidos no betão (εm).

5.2 Redução da resistência e coeficientes de majoração das ações
O Método do Campo de Tensões Compatível está em conformidade com as normas de projeto modernas. Como os modelos de cálculo utilizam apenas propriedades de materiais normalizadas, o formato dos coeficientes parciais de segurança prescrito nas normas pode ser aplicado sem qualquer adaptação. Desta forma, as ações de entrada são majoradas e as propriedades características dos materiais são reduzidas através dos respetivos coeficientes de redução da resistência, exatamente como na análise convencional de betão.
Os valores dos coeficientes de redução da resistência estão prescritos na ACI 318-19 Cl. 21.2. Os valores predefinidos para o betão e para a armadura foram escolhidos com base no pressuposto de que o exemplo típico resolvido na aplicação é condicionado pelo corte (com base na Tabela 21.2.1 (b), (f), (g)). No entanto, é possível modelar qualquer tipo de elemento. Assim, se for verificado um elemento condicionado pela compressão ou pela tração, o utilizador tem a opção de alterar o valor do coeficiente de redução da resistência nas Preferências.

Os coeficientes de majoração das ações para as combinações de resistência devem ser definidos de acordo com a ACI 318-19 Tabela 5.3.1.
Exceto quando indicado no Capítulo 34, as combinações de ações para o nível de serviço não estão definidas na ACI 318-19. Recomenda-se a utilização de regras de combinação baseadas no Apêndice C da ASCE/SEI 7-16. Para todos os modelos, os coeficientes de majoração das ações já se encontram predefinidos.

5.3 Verificações de resistência
As diferentes verificações exigidas pelo ACI 318-19 são avaliadas com base nos resultados diretos fornecidos pelo modelo. As verificações são realizadas para a resistência do betão, a resistência da armadura e a ancoragem (tensões de corte de aderência).
A resistência do betão à compressão é avaliada como a relação entre a tensão principal de compressão máxima fc (também σ2 nos Resultados auxiliares), obtida pela análise por EF, e o valor limite f'c,lim.
A resistência da armadura é avaliada à tração e à compressão como a relação entre a tensão na armadura nas fendas fs e o valor limite especificado fy,lim.
A tensão de corte de aderência é avaliada de forma independente como a relação entre a tensão de aderência τb calculada pela análise por EF e a resistência de aderência fbu.
No entanto, a norma ACI não aborda explicitamente a resistência de aderência, trabalhando antes com o cálculo do chamado comprimento de desenvolvimento, descrito na Secção 25.4.2. Dado que a resistência de aderência é um parâmetro de entrada fundamental para determinar o comprimento de desenvolvimento, ver R25.4.1.1 e ACI Committee 408 1966, a resistência de aderência pode ser calculada da seguinte forma:
Admita-se que, se ancorarmos o varão de armadura num bloco de betão com um comprimento de desenvolvimento ld ou superior, o arrancamento da armadura conduzirá à rotura da armadura e não ao arrancamento do betão. Isto pode ser escrito com a seguinte fórmula.
em que:
db é o diâmetro do varão de armadura, ld é o comprimento de desenvolvimento, fbu é a resistência de aderência, fy é a tensão de cedência da armadura e As é a área do varão de armadura.
Do exposto, a fórmula para o cálculo da resistência de aderência pode ser facilmente deduzida:
O comprimento de desenvolvimento ld é então determinado de acordo com a Tabela 25.4.2.3 do ACI 318-19 da seguinte forma:
em que:
C = 25 (2,1 para o sistema métrico) para varões n.º 6 e inferiores e fios nervurados, C = 20 (1,7 para o sistema métrico) para varões n.º 7 e superiores, λ = 1,0 para betão de peso normal, ψt, ψe, ψg são determinados de acordo com a Tabela 25.4.2.3 do ACI 318-19.
Apenas é suportada armadura sem revestimento ou revestida a zinco (galvanizada), pelo que ψe = 1,0. O valor de ψg é determinado automaticamente a partir da classe da armadura, e ψt é obtido automaticamente a partir da posição da armadura no modelo e da direção de betonagem, que pode ser definida na aplicação para cada item do projeto, da seguinte forma.

Estas verificações são realizadas em relação aos valores limite adequados para as respetivas partes da estrutura (ou seja, apesar de existir uma única classe tanto para o betão como para o material da armadura, os diagramas tensão-deformação finais diferem em cada parte da estrutura devido aos efeitos de enrijecimento à tração e de amolecimento à compressão).
Existe também a opção de modelar varões lisos. Pode encontrar mais informações aqui: Varões lisos em Detail
Força total Ftot e força limite Flim
A força total Ftot é um resultado da análise por elementos finitos e pode ser definida de duas formas.
em que As é a área do varão de armadura e fs é a tensão no varão.
Ou como a soma da força de ancoragem Fa e da força de aderência Fbond.
em que Fa é a força real na mola de ancoragem e Fbond é a força de aderência, que pode ser obtida por integração da tensão de aderência τb ao longo do comprimento do varão de armadura l.
Cs é o perímetro do varão de armadura.
A força limite Flim é a força máxima no elemento do varão, considerando a resistência do varão e também as condições de ancoragem (aderência entre o betão e a armadura e ganchos de ancoragem, laços, etc.).
em que Cs é o perímetro do varão de armadura e l é o comprimento desde o início do varão até ao ponto de interesse.

em que Flim,add é a força adicional calculada a partir da magnitude do ângulo entre elementos vizinhos. Flim,2 tem de ser sempre inferior a Fu.
Os tipos de ancoragem disponíveis no CSFM incluem varão reto (ou seja, sem redução da extremidade de ancoragem), gancho a 90 graus, gancho a 180 graus, aderência perfeita e varão contínuo. Todos estes tipos, juntamente com os respetivos coeficientes de ancoragem β, são apresentados na Fig. 48 para a armadura longitudinal. Os valores dos coeficientes de ancoragem adotados resultam da comparação da equação da secção 25.4.3.1 do ACI 318-19 com as equações retiradas da secção 25.4.2.3 do ACI 318-19. Note-se que, apesar das diferentes opções disponíveis, o CSFM distingue três tipos de extremidades de ancoragem: (i) sem redução do comprimento de ancoragem, (ii) uma redução de 30 % do comprimento de ancoragem no caso de uma ancoragem normalizada e (iii) aderência perfeita.

O coeficiente de ancoragem para estribos é sempre β = 1,0.
Para cumprir o ACI, deve ser utilizada a mola de ancoragem no cálculo; a mola de ancoragem é modificada pelo coeficiente β, pelo que o utilizador deve utilizar um dos tipos de ancoragem disponíveis ao definir as condições de início e de fim da armadura.
5.4 Zonas de apoio e de ancoragem – Áreas parcialmente carregadas
No dimensionamento de estruturas de betão, deparamo-nos com dois grandes grupos de áreas parcialmente carregadas (PLA) – o primeiro compreende os apoios, enquanto o segundo é constituído pelas zonas de ancoragem.
De acordo com as normas atualmente em vigor para o dimensionamento de estruturas de betão armado, ACI 318-19, cap. 22.8, devem ser considerados o esmagamento local do betão e as forças de tração transversais nos apoios. Para uma carga uniformemente distribuída numa área Ac1, a capacidade resistente à compressão do betão pode ser aumentada até duas vezes, em função da área de distribuição de cálculo Ac2. Ver a tabela 22.8.3.2 da ACI 318-19.

Para as zonas de ancoragem de elementos em pós-tensão, deve ser seguido o disposto na ACI 318-19, cap. 25.9.
A área parcialmente carregada deve ser suficientemente reforçada com armadura transversal, dimensionada para transmitir as forças de fendilhação que ocorrem nessa área. Sem a armadura transversal necessária, não é possível considerar o aumento da capacidade resistente à compressão do betão.
Áreas parcialmente carregadas no CSFM
Com o CSFM, é possível dimensionar e verificar estruturas de betão armado incluindo a influência do aumento da resistência à compressão do betão nas áreas parcialmente carregadas. Dado que o CSFM é um modelo de parede (2D) e as áreas parcialmente carregadas constituem um problema espacial (3D), foi necessário encontrar uma solução que combine estes dois tipos distintos de problemas (Fig. 50). Se a função de “áreas parcialmente carregadas” estiver ativada, a geometria admissível do cone é criada de acordo com a ACI (Fig. 49). Todas as colisões geométricas são resolvidas totalmente em 3D para a geometria especificada do elemento de betão e para as dimensões de cada PLA. Seguidamente, é criado um modelo de cálculo da área parcialmente carregada.

A modificação do modelo de material revelou-se uma abordagem inadequada, sobretudo porque o mapeamento das propriedades para a malha de elementos finitos é problemático. Concluiu-se que uma abordagem independente da malha de elementos finitos é uma solução mais adequada. Para a geometria conhecida do cone de compressão, são criadas escoras fictícias absolutamente coerentes (Fig. 51 e Fig. 52). Estas escoras têm propriedades de material idênticas às do betão utilizado no modelo, incluindo o diagrama tensão-deformação. A forma do cone determina a direção das escoras, que distribuem gradualmente a carga ao longo da PLA até à área de distribuição de cálculo. A densidade superficial das escoras fictícias é variável em cada parte do cone e acrescenta uma área fictícia de betão na direção da carga. Ao nível da área carregada (Ac1), é acrescentada uma área fictícia de betão de acordo com a razão (em que Areal é a área do apoio considerada no modelo de cálculo 2D), e esta área diminui linearmente até zero em direção à área de distribuição de cálculo (Ac2). Esta solução assegura que a tensão de compressão no betão é constante em todo o volume do cone.

A resistência da área parcialmente carregada é aumentada de acordo com a razão entre a área de distribuição de cálculo e a área carregada, estabelecida na ACI 318-19, cap. 22.8. Deve ter-se presente que se trata de um modelo de cálculo que não consegue descrever com exatidão o estado de tensão numa área parcialmente carregada, cujo fluxo real de tensões é muito mais complexo. No entanto, esta solução permite a correta distribuição da carga por todo o modelo, respeitando simultaneamente a capacidade resistente acrescida da área parcialmente carregada. Além disso, introduz corretamente as tensões transversais nesta área, de modo a dimensionar corretamente a armadura para as forças de fendilhação.
A tensão de apoio admissível de 0.85fc' é indicada na Tabela 22.8.3.2. A densidade é limitada de forma a não ser excedida a capacidade máxima dupla dada pela expressão da Tabela 22.8.3.2(b).
Para as zonas de ancoragem, a PLA é utilizada na aplicação da mesma forma que para os apoios. É por isso que as zonas locais definidas na ACI 318-19, capítulo 25.9, têm de ser verificadas manualmente de acordo com a ACI 318-19, 25.9.3. A PLA é, por conseguinte, utilizada apenas para evitar que o critério de deformação na zona local seja excedido, interrompendo prematuramente o cálculo. Por outro lado, de acordo com a ACI 318-19, Cl. 25.9.4.3.1 (b), a armadura que resiste às tensões no plano de fendilhação (bursting) e de destacamento (spalling) pode ser verificada diretamente, e de forma vantajosa, na aplicação.
5.5 Verificações de estado limite de utilização
As verificações de utilização são efetuadas para a limitação de tensões, a largura de fendas e os limites de flecha. As tensões são verificadas nos elementos de betão e de armadura de acordo com a ACI 318-19, de forma semelhante à especificada para a resistência.
Limitação de tensões
As tensões de compressão admissíveis no betão para cargas de serviço devem ser verificadas para elementos pré-esforçados das Classes U e T. De acordo com a Tabela R24.5.2.1, não é necessária verificação da limitação de tensões para o betão que se considera fendilhado. O utilizador deve definir a classe do elemento pré-esforçado nas definições do elemento de cálculo.

A tensão de compressão admissível para elementos sujeitos a cargas transitórias é especificada na ACI 318-19 24.5.4.1 como 0.6fc'. O limite de tensão de compressão de 0.45fc' foi estabelecido para diminuir a probabilidade de rotura de elementos de betão pré-esforçado devido a cargas repetidas. Este limite também pareceu razoável para evitar deformações excessivas por fluência. Para valores de tensão mais elevados, as deformações por fluência tendem a aumentar mais rapidamente à medida que a tensão aplicada aumenta.
A tensão no betão à compressão é avaliada como o quociente entre a tensão principal de compressão máxima fc = σc2 obtida da análise por EF para o estado limite de utilização e o valor limite, que é definido com base na Tabela 24.5.4.1.

Na aplicação, Pré-esforço mais carga permanente é tratado como uma combinação de longa duração, e Pré-esforço mais carga total como uma combinação de curta duração.
Flecha
Com base no tipo de combinação selecionado (longa ou curta duração), é avaliada a flecha de longa ou de curta duração. O valor máximo admissível da flecha deve ser determinado pelo utilizador e considerado de acordo com a ACI 138-19 24.2.

Na aplicação, é possível apresentar separadamente as flechas devidas ao peso próprio ΔDL e à sobrecarga ΔLL, bem como a flecha total ΔTot (permanente+sobrecarga), apresentando em simultâneo a deformada.
As flechas em extremidades aparadas não podem ser verificadas.
Largura de fendas
As larguras e as orientações das fendas são calculadas para combinações de utilização de curta ou de longa duração. Uma vez que a ACI não prescreve diretamente larguras de fendas limite, o utilizador deve especificar uma largura de fenda limite wlim.
As verificações são apresentadas da seguinte forma:
onde:
w largura de fenda de curta ou de longa duração calculada pela análise por EF,
wlim valor limite da largura de fenda definido pelo utilizador.
O método de cálculo das larguras de fendas utilizado na aplicação, também descrito mais detalhadamente neste documento, está de acordo com a ACI 224R-01. É, por isso, possível utilizar a Tabela 4.1 da ACI 224R-01 para determinar o valor limite das larguras de fendas.

Existem duas formas de calcular as larguras de fendas (fendilhação estabilizada e não estabilizada). No caso geral (fendilhação estabilizada), a largura de fenda é calculada integrando as deformações nos elementos 1D dos varões de armadura. A direção da fenda é depois calculada a partir dos três pontos de integração mais próximos (a partir do centro do elemento finito 1D de armadura considerado) dos elementos 2D de betão. Embora esta abordagem para o cálculo das direções das fendas não corresponda à posição real das fendas, fornece ainda assim valores representativos que conduzem a resultados de largura de fenda que podem ser comparados com os valores de largura de fenda exigidos pela norma na posição do varão de armadura.
6 Verificações estruturais de acordo com a AASHTO
6.1 Modelos de materiais (AASHTO)
Betão - Resistência
O modelo de betão implementado para os cálculos de resistência no CSFM baseia-se nos pressupostos de dimensionamento à resistência da AASHTO LRFD, de equilíbrio e compatibilidade de deformações. De acordo com o Artigo 5.6.2.1 da AASHTO LRFD (2024), a resistência à tração do betão é desprezada.

A implementação do CSFM em IDEA StatiCa Detail não considera um critério de rotura explícito em termos de deformações para o betão em compressão (ou seja, depois de atingida a tensão de pico, considera um ramo plástico com εc0 no valor máximo de 5%, enquanto o Artigo 5.6.2.1 da AASHTO LRFD (2024) assume uma deformação última inferior a 0,3%). Esta simplificação não permite verificar a capacidade de deformação de estruturas que entram em rotura por compressão. No entanto, a resistência é prevista corretamente quando, além do fator de betão fendilhado (kc2 definido em (Fig. 57)), se considera o aumento da fragilidade do betão com o aumento da sua resistência, por meio do fator de redução definido no fib Model Code 2010, do seguinte modo:
em que:
α1 é o fator de redução da resistência à compressão do betão definido no Artigo 5.6.2.2 da AASHTO LRFD (2024). Ao utilizar um diagrama tensão-deformação parábola-retângulo, é necessário reduzir a tensão máxima de compressão por este fator. Isto uniformiza a distribuição de tensões na zona comprimida de modo que a resistência à compressão resultante seja inferior ou igual à resistência à compressão calculada com um diagrama tensão-deformação com ramo plástico decrescente.
Φc é o fator de resistência do betão. O valor por defeito é definido de acordo com o Artigo 5.5.4.2 da AASHTO LRFD (2024).
kc2 é o fator de redução devido à presença de fendilhação transversal.
f'c é a resistência do betão em provetes cilíndricos (em MPa para a definição de ).
kc2 é um fator de redução baseado nos mesmos pressupostos do fator de eficiência do betão ν indicado em AASHTO LRFD (2024) 5.8.2.5.3a e na Tabela 5.8.2.5.3a-1, exceto que, no CSFM, a presença de uma tensão principal de tração perpendicular à tensão principal de compressão é verificada para cada elemento finito (e não apenas para os nós do modelo de Escora e tirante).
Betão – Estado limite de utilização
A análise de utilização contém certas simplificações dos modelos constitutivos que são utilizados na análise de resistência. O ramo plástico da curva tensão-deformação do betão em compressão é desprezado, sendo o ramo elástico linear e infinito. A lei de amolecimento à compressão não é considerada. Estas simplificações melhoram a estabilidade numérica e a velocidade de cálculo e não reduzem a generalidade da solução, desde que os limites de tensão resultantes dos materiais em utilização se situem claramente abaixo dos respetivos pontos de cedência (de acordo com a abordagem do estado limite de utilização da AASHTO LRFD). Por conseguinte, os modelos simplificados utilizados para a utilização só são válidos se todos os requisitos de verificação forem cumpridos.

Efeitos de longo prazo
A lei constitutiva de longo prazo (a curva vermelha na Fig. 59) é utilizada para o cálculo da largura de fendas, da flecha total e da limitação de tensões de elementos pré-esforçados quando o efeito de longo prazo é selecionado na faixa de opções superior. Na aplicação IDEA StatiCa Detail, o módulo de elasticidade efetivo é utilizado para a verificação dos efeitos de longo prazo, conforme referido em AASHTO LRFD (2024) C5.12.5.3.6-1.
em que:
Ec é o módulo de elasticidade definido no artigo 5.4.2.4 da AASHTO LRFD (2024)
ψ é o coeficiente de fluência definido no artigo 5.4.2.3.2 da AASHTO LRFD (2024)
Os fatores de fluência são definidos pelo utilizador nas propriedades dos materiais.
Efeitos de curto prazo
Para realizar as verificações de curto prazo, é efetuado outro cálculo no qual todas as ações são calculadas sem o fator de fluência. Ambos os cálculos, para as verificações de longo e de curto prazo, estão representados na Fig. 59.
Armadura
Considera-se um diagrama tensão-deformação perfeitamente elastoplástico, com um ponto de cedência definido, para a armadura não pré-esforçada, ver Artigo 5.4.3 da AASHTO LRFD (2024). A definição deste diagrama requer apenas o conhecimento das propriedades básicas da armadura – a resistência e o módulo de elasticidade.
O diagrama tensão-deformação da armadura também pode ser definido pelo utilizador, mas, neste caso, não é possível considerar o efeito de enrijecimento à tração (não é possível calcular a largura de fendas).

em que:
Φs é o fator de resistência da armadura. O valor por defeito é definido de acordo com o Artigo 5.5.4.2 da AASHTO LRFD (2024).
fy é a tensão de cedência da armadura
Es é o módulo de elasticidade da armadura
Seleciona-se 10% como a deformação limite à qual o cálculo é interrompido. Considera-se que este valor é seguro com base no Artigo 7 da ASTM A955/A955M-20c.
O enrijecimento à tração (Fig. 61) é considerado automaticamente através da modificação da relação tensão-deformação de entrada do varão de armadura isolado, de modo a captar a rigidez média dos varões embebidos no betão (εm).

6.2 Coeficientes de resistência e de carga
O Método do Campo de Tensões Compatível está em conformidade com as normas de cálculo modernas. Como os modelos de cálculo utilizam apenas propriedades de materiais normalizadas, o formato dos coeficientes parciais de segurança prescrito nas normas de cálculo pode ser aplicado sem qualquer adaptação. Desta forma, as ações de entrada são majoradas e as propriedades características dos materiais são reduzidas através dos respetivos coeficientes de resistência, exatamente como na análise convencional de betão.
Os valores dos coeficientes de resistência são prescritos no Artigo 5.5.4 da AASHTO LRFD (2024). Os valores por defeito para o betão e para a armadura são escolhidos de forma conservadora, com base no pressuposto de que o exemplo típico resolvido é uma região D, um caso típico para o método SaT. No entanto, é possível modelar qualquer tipo de elemento. Por conseguinte, se for avaliado um elemento controlado por compressão ou por tração, o utilizador tem a opção de alterar o valor do coeficiente de redução de resistência nas Preferências.

Os coeficientes de carga e as combinações de carga devem ser definidos de acordo com as AASHTO LRFD Bridge Design Specifications (2024), Artigo 3.4.1 e Quadros 3.4.1-1 a 3.4.1-6. A AASHTO LRFD especifica explicitamente as combinações de carga do estado limite de Strength (Strength I a Strength V), bem como as combinações de carga ao nível de serviço (Service I a Service IV), incluindo os coeficientes de carga correspondentes para cada caso.
Para cada modelo, o programa inclui combinações básicas predefinidas que necessitam de ser completadas em função do elemento em análise.

6.3 Estado limite de resistência
As diferentes verificações exigidas pela AASHTO são avaliadas com base nos resultados diretos fornecidos pelo modelo. As verificações são realizadas para a resistência do betão, a resistência da armadura e a ancoragem (tensões de corte de aderência).
A resistência do betão à compressão é avaliada como a razão entre a tensão principal de compressão máxima fc (também σ2 nos Resultados auxiliares), obtida na análise por EF, e o valor limite f'c,lim.
A resistência da armadura é avaliada tanto à tração como à compressão, como a razão entre a tensão na armadura nas fendas fs e o valor limite especificado fy,lim.
A tensão de corte de aderência é avaliada de forma independente, como a razão entre a tensão de aderência τb, calculada pela análise por EF, e a resistência de aderência fbu.
No entanto, uma vez que a resistência de aderência não está explicitamente definida na AASHTO, o seu valor tem de ser determinado através das equações que definem o comprimento de amarração. A resistência de aderência é, de facto, o dado de entrada principal para a determinação do comprimento de amarração; ver, por exemplo, o artigo AASHTO LRFD (2024) Article C5.10.8.2 ou o NCHRP Report 733, Attachment E, página E-9.
O cálculo descrito na AASHTO LRFD (2024) Article 5.10.8.2.1 e 5.10.8.2.2 requer o conhecimento do espaçamento máximo entre eixos da armadura transversal dentro de ld, do número de varões ou fios amarrados ao longo do plano de fendilhamento, da área total da secção transversal de toda a armadura transversal e de outras grandezas geométricas que não podem ser determinadas de forma fiável no modelo da aplicação Detail para dados de entrada gerais. Por isso, foi adotada uma abordagem da AASHTO LRFD (2014) Article 5.11.2.1.1, da seguinte forma:
Admita-se que, se o varão de armadura for ancorado num bloco de betão com um comprimento de amarração ld ou superior, o arrancamento da armadura conduz à rotura da armadura e não ao arrancamento do betão. Tal pode ser escrito com a seguinte fórmula.
onde:
- db é o diâmetro do varão de armadura
- ld é o comprimento de amarração
- fbu é a resistência de aderência
- fy é a tensão de cedência da armadura
- Ab é a área do varão de armadura
Do exposto, pode deduzir-se facilmente a fórmula para o cálculo da resistência de aderência.
O comprimento de amarração básico à tração ldb é determinado na AASHTO LRFD (2014) Article 5.11.2.1.1 da seguinte forma:
Para varões n.º 11 e menores:
Para varões n.º 14:
Para varões n.º 18:
onde:
- Ab é a área do varão de armadura (in2)
- fy é a tensão de cedência especificada da armadura (ksi)
- f'c é a resistência à compressão especificada do betão aos 28 dias, salvo indicação de outra idade (ksi)
- db é o diâmetro do varão de armadura (in)
Em seguida, multiplicando o comprimento de amarração básico ldb pelos fatores descritos na AASHTO LRFD (2014) Article 5.11.2.1.2 e 5.11.2.1.3, determina-se o comprimento de amarração ld utilizado como dado de entrada.
Os fatores de modificação que reduzem o comprimento de amarração, indicados em 5.11.2.1.3, são sempre iguais a 1,0 na aplicação. O fator de modificação para armadura superior horizontal ou quase horizontal é igual a 1,4 para condições de aderência «más», de acordo com a figura seguinte:

A direção de betonagem pode ser definida na aplicação.

Todos os outros fatores determinados em 5.11.2.1.2 são iguais a 1,0, porque apenas é suportado betão de peso normal e apenas é suportada armadura sem revestimento.
A tensão de corte de aderência e a resistência de aderência dos varões à compressão são calculadas de forma análoga à dos varões à tração, mas utilizando as equações da AASHTO LRFD (2014) Article 5.11.2.2.
Existe também a opção de modelar varões lisos. Pode encontrar mais informações aqui: Varões lisos no Detail
Força total Ftot e força limite Flim
A força total Ftot é um resultado da análise pelo Método dos Elementos Finitos e pode ser definida de duas formas.
onde Ab é a área do varão de armadura e fs é a tensão no varão.
Ou como a soma da força de ancoragem Fa e da força de aderência Fbond.
onde Fa é a força real na mola de ancoragem e Fbond é a força de aderência, que pode ser obtida por integração da tensão de aderência τb ao longo do comprimento do varão de armadura l.
Cs é o perímetro do varão de armadura.
A força limite Flim é a força máxima no elemento do varão, considerando a resistência do varão e também as condições de ancoragem (aderência entre o betão e a armadura e ganchos de ancoragem, laços, etc.).
onde Cs é o perímetro do varão de armadura e l é o comprimento desde o início do varão até ao ponto em análise.

onde Flim,add é a força adicional calculada a partir da magnitude do ângulo entre elementos vizinhos. Flim,2 tem de ser sempre inferior a Fu.
Os tipos de ancoragem disponíveis no CSFM incluem varão reto (ou seja, sem redução na extremidade de ancoragem), gancho a 90 graus, gancho a 180 graus, aderência perfeita e varão contínuo. Todos estes tipos, juntamente com os respetivos coeficientes de ancoragem β, são apresentados na Fig. 67 para a armadura longitudinal. Os valores dos coeficientes de ancoragem adotados resultam da comparação da equação da secção AASHTO LRFD (2014) 5.11.2.1 com as equações da secção AASHTO LRFD (2014) 5.11.2.4.1. Deve notar-se que, apesar das diferentes opções disponíveis, o CSFM distingue três tipos de extremidades de ancoragem: (i) sem redução do comprimento de ancoragem, (ii) uma redução de 30 % do comprimento de ancoragem no caso de uma ancoragem normalizada, e (iii) aderência perfeita.

O coeficiente de ancoragem para estribos (disponível para elementos de viga) é sempre β = 1,0.
Para cumprir a AASHTO, a mola de ancoragem deve ser utilizada no cálculo. A mola de ancoragem é modificada pelo coeficiente β, pelo que o utilizador tem de utilizar um dos tipos de ancoragem disponíveis ao definir as condições de início e fim da armadura.
6.4 Resistência das zonas de apoio e de ancoragem – Áreas parcialmente carregadas
Ao projetar estruturas de betão, deparamo-nos com dois grandes grupos de áreas parcialmente carregadas (PLA) – o primeiro inclui os apoios, enquanto o outro é constituído pelas zonas de ancoragem.
De acordo com as normas atualmente em vigor para o projeto de estruturas de betão armado, devem ser considerados o esmagamento local do betão e as forças de tração transversais nos apoios. Para uma carga uniformemente distribuída numa área, A1, a capacidade resistente à compressão do betão pode ser aumentada até duas vezes, em função da área de distribuição de cálculo A2. Ver AASHTO LRFD (2024), Artigo 5.6.5.

Para as zonas de ancoragem de pós-tensão, deve seguir-se o AASHTO LRFD (2024), Artigo 5.8.4.4.
A área parcialmente carregada deve ser adequadamente reforçada com armadura transversal dimensionada para transmitir as forças de fendilhamento que ocorrem nessa área. Sem a armadura transversal necessária, não é possível considerar o aumento da capacidade resistente à compressão do betão.
Áreas parcialmente carregadas no CSFM
Utilizando o CSFM, é possível dimensionar e avaliar estruturas de betão armado, incluindo a influência do aumento da resistência à compressão do betão nas áreas parcialmente carregadas. Uma vez que o CSFM é um modelo de parede (2D) e as áreas parcialmente carregadas constituem um problema espacial (3D), foi necessário encontrar uma solução que combinasse estes dois tipos de problemas diferentes (Fig. 69). Se a função “áreas parcialmente carregadas” estiver ativada, a geometria admissível do cone é criada de acordo com o ACI (Fig. 68). Todas as colisões geométricas são resolvidas integralmente em 3D para a geometria especificada do elemento de betão e as dimensões de cada PLA. Posteriormente, é criado um modelo de cálculo da área parcialmente carregada.

A modificação do modelo de material revelou-se uma abordagem inadequada, principalmente porque o mapeamento das propriedades na malha de elementos finitos é problemático. Concluiu-se que uma abordagem independente da malha de elementos finitos é uma solução mais adequada. Para a geometria conhecida do cone de compressão, são criadas escoras fictícias absolutamente coerentes (Fig. 70 e Fig. 71). Estas escoras têm propriedades materiais idênticas às do betão utilizado no modelo, incluindo o diagrama tensão-deformação. A forma do cone determina a direção das escoras, que distribuem gradualmente a carga da PLA até à área de distribuição de cálculo. A densidade de área das escoras fictícias é variável em cada parte do cone e adiciona uma área fictícia de betão na direção da carga. Ao nível da área carregada (A1), é adicionada uma área fictícia de betão de acordo com a relação (em que Areal é a área do apoio considerada no modelo de cálculo 2D), e esta área diminui linearmente até zero em direção à área de distribuição de cálculo (A2). Esta solução garante que a tensão de compressão no betão é constante em todo o volume do cone.

A resistência da área parcialmente carregada é aumentada de acordo com a relação entre a área de distribuição de cálculo e a área carregada estabelecida no AASHTO LRFD (2024), Artigo 5.6.5. Deve ter-se presente que este é um modelo de cálculo que não consegue descrever com precisão o estado de tensão numa área parcialmente carregada, cujo fluxo real é muito mais complexo. No entanto, esta solução permite a correta distribuição da carga por todo o modelo, respeitando a maior capacidade resistente da área parcialmente carregada. Além disso, introduz corretamente as tensões transversais nesta área, permitindo dimensionar corretamente a armadura para as forças de fendilhamento.
A tensão admissível de apoio de 0.85fc' encontra-se indicada no AASHTO LRFD (2024), Artigo 5.8.4.4. A densidade é limitada de modo a não ser excedida a capacidade máxima dupla dada pela fórmula 5.6.5-3.
Para as zonas de ancoragem, a PLA é utilizada na aplicação da mesma forma que nos apoios. Por esse motivo, as tensões de compressão nas zonas local e global definidas nos Artigos 5.8.4.4 e 5.8.4.5 têm de ser verificadas manualmente. A PLA é, portanto, utilizada apenas para evitar que o critério de deformação seja excedido na zona local, interrompendo prematuramente o cálculo. Por outro lado, a armadura que resiste às tensões de rebentamento, de lascagem no plano e de tração de bordo nas zonas gerais (definidas no Artigo 5.8.4.5) pode ser verificada diretamente e com vantagem na aplicação.
6.5 Estado limite de serviço
As verificações de serviço são realizadas para a limitação de tensões, a largura de fendas e os limites de flecha. As tensões são verificadas nos elementos de betão e de armadura de acordo com a AASHTO LRFD, de forma semelhante à especificada para a Resistência.
Limitação de tensões
A tensão de compressão no betão é avaliada apenas para elementos pré-esforçados (quando o caso de carga de pré-esforço está presente no modelo), como a razão entre a tensão principal de compressão máxima fc = σc2 obtida da análise de EF para o estado limite de serviço e os valores limite, que são definidos com base na Tabela 5.9.2.3.2a-1 da AASHTO LRFD.

Na aplicação, Pré-esforço mais ação permanente é tratado como uma ação sustentada, e Pré-esforço, ação permanente e ação variável como uma ação total.

Além disso, é sempre possível realizar uma análise para efeitos de curta e de longa duração, utilizando modelos de material que consideram ou não o coeficiente de fluência — ver a secção "Modelos de material (AASHTO)".

Flecha
As flechas instantâneas e as flechas totais são avaliadas para cada combinação em que a avaliação da flecha esteja ativada.
- Para as flechas instantâneas, é utilizado o módulo de elasticidade Ec de acordo com o artigo 5.4.2.4 da AASHTO LRFD (2024).
- Para as flechas totais, é utilizado o módulo de elasticidade efetivo Ec,eff de acordo com o artigo C5.12.5.3.6 da AASHTO LRFD (2024).
Ver o capítulo 'Modelos de material (AASHTO) - Betão – Estado limite de serviço' neste documento.
A verificação da flecha propriamente dita é ativada na barra de ferramentas superior. O utilizador define os valores limite da flecha de acordo com o artigo 2.5.2.6.2 da AASHTO LRFD (2024), em função do tipo de elemento analisado.

Não é possível verificar as flechas em extremidades aparadas.
Largura de fendas
As larguras e as orientações das fendas são calculadas apenas para efeitos de longa duração (utilizando Ec,eff de acordo com o artigo C5.12.5.3.6 da AASHTO LRFD (2024)) para as combinações em que a avaliação da largura de fendas esteja ativada. As verificações com base nos valores limite especificados pelo utilizador são as seguintes:
em que:
w largura de fenda calculada por análise de EF,
wlim valor limite da largura de fenda definido pelo utilizador.
O valor limite wlim deve ser determinado com base no tipo de elemento e na classe de exposição, de acordo com o artigo 5.6.7 da AASHTO LRFD (2024) e respetivo comentário.
Existem duas formas de calcular as larguras de fendas (fendilhação estabilizada e não estabilizada). No caso geral (fendilhação estabilizada), a largura de fenda é calculada integrando as deformações nos elementos 1D das varões de armadura. A direção da fenda é depois calculada a partir dos três pontos de integração mais próximos (a partir do centro do elemento finito 1D de armadura considerado) dos elementos 2D de betão. Embora esta abordagem para o cálculo das direções das fendas não corresponda à posição real das fendas, fornece ainda assim valores representativos que conduzem a resultados de largura de fenda comparáveis com os valores de largura de fenda exigidos pela norma na posição do varão de armadura.
7 Verificações estruturais de acordo com a norma australiana AS 3600 (2018)
A avaliação da estrutura com o CSFM é realizada através de duas análises distintas: uma para o estado limite de utilização e outra para as combinações de ações de resistência. A análise em estado limite de utilização assume que o comportamento sob cargas majoradas é satisfatório e que as condições de cedência do material não serão atingidas aos níveis de carga de utilização. Esta abordagem permite utilizar modelos constitutivos simplificados (com um ramo linear do diagrama tensão-deformação do betão) na análise em estado limite de utilização, de modo a melhorar a estabilidade numérica e a velocidade de cálculo.
O CSFM é um método de análise estrutural que satisfaz as regras gerais dos capítulos 6.1.1 e 6.1.2 e é definido como (f) análise de tensões não linear no capítulo 6.1.3, e posteriormente no capítulo 6.6.
A análise pelo CSFM tem em conta todos os efeitos não lineares e inelásticos relevantes (exceto a retração) definidos em 6.6.3.
Para satisfazer os requisitos das secções 6.6.4 e 6.6.5 (mais informação na AS3600:2018 Sup 1:2022, secção C6.6), foram realizadas verificações e validações do método em diversas universidades. Os artigos individuais que resumem os resultados da verificação e validação podem ser consultados na seguinte ligação.
Uma vez que o IDEA StatiCa Detail é um programa de dimensionamento prático, nos cálculos utiliza-se a resistência característica à compressão do betão em provete cilíndrico aos 28 dias, ponderada, f'c, conforme descrito no capítulo seguinte.
7.1 Modelos de materiais (AS 3600)
Betão – Resistência
O modelo de betão implementado para os cálculos de resistência no CSFM baseia-se na curva tensão-deformação parabólica-plástica. A resistência à tração é desprezada, tal como no cálculo clássico de betão armado.

A implementação do CSFM no IDEA StatiCa Detail não considera um critério de rotura explícito em termos de deformações para o betão em compressão (ou seja, depois de atingida a tensão máxima, considera um ramo plástico com εc0 com valor máximo de 5%, enquanto a AS 3600 Cl. 8.3.1 admite uma deformação última inferior a 0,3%). Esta simplificação não permite verificar a capacidade de deformação de estruturas que entram em rotura por compressão. No entanto, a resistência é corretamente prevista quando, além do fator do betão fendilhado (kc2 definido na (Fig. 77)), se considera o aumento da fragilidade do betão com o aumento da sua resistência, através do fator de redução definido no fib Model Code 2010, do seguinte modo:
em que:
α2 é o fator de redução da resistência à compressão do betão definido na AS 3600 Cl. 8.3.1
Ao utilizar um diagrama tensão-deformação parábola-retângulo, é necessário reduzir a tensão máxima de compressão por este fator. Isto uniformiza a distribuição de tensões na zona comprimida de modo que a resistência à compressão resultante seja inferior ou igual à resistência à compressão calculada com um diagrama tensão-deformação com ramo plástico descendente. É definida uma abordagem análoga para o bloco retangular de tensões no Capítulo 8.1.3.
Φs é o fator de redução da tensão para o betão. O valor por defeito é definido de acordo com a AS 3600 Tabela 2.2.3.
β é o fator de redução devido à presença de fendilhação transversal (também designado por kc2 neste texto)
f'c é a resistência do betão em cilindro (em MPa para a definição de ).
β é um fator de redução baseado nos mesmos princípios de um fator de resistência efetiva à compressão definido no Capítulo 2.2.3. A literatura com base na qual este fator é determinado pode ser consultada (incluindo o contexto da norma AS3600) na AS3600:2018 Sup 1:2022 CL. C2.2.3.
Betão – Utilização
A análise em estado limite de utilização contém certas simplificações dos modelos constitutivos utilizados na análise de resistência. O ramo plástico da curva tensão-deformação do betão em compressão é desprezado, enquanto o ramo elástico é linear e infinito. A lei de amolecimento à compressão não é considerada. Estas simplificações melhoram a estabilidade numérica e a velocidade de cálculo e não reduzem a generalidade da solução, desde que os limites de tensão resultantes nos materiais em estado limite de utilização se situem claramente abaixo dos respetivos pontos de cedência (conforme exigido pela AS3600). Por conseguinte, os modelos simplificados utilizados para a utilização só são válidos se todos os requisitos de verificação forem cumpridos.

Efeitos de longo prazo
Na análise em estado limite de utilização, os efeitos de longo prazo do betão são considerados através do coeficiente de fluência de cálculo de acordo com a AS 3600 CL 3.1.8 (φcc, adotado por defeito com o valor de 2,5), que modifica o módulo de elasticidade secante do betão (Ec) da seguinte forma:
Os incrementos de carga são calculados sequencialmente pela ordem: Pré-esforço - Permanentes - Sobrecargas, utilizando o módulo de elasticidade efetivo adequado para cada incremento, conforme apresentado na Fig. 78. Os coeficientes de fluência são definidos pelo utilizador nas propriedades do material e devem ser calculados de acordo com a AS 3600 CL 3.1.8.3

Efeitos de curto prazo
Para realizar as verificações de curto prazo, é efetuado outro cálculo no qual todas as cargas são calculadas sem o fator dependente do tempo para cargas permanentes. Ambos os cálculos, para as verificações de longo e de curto prazo, são apresentados na Fig. 78.
Armadura
Considera-se um diagrama tensão-deformação perfeitamente elastoplástico, com um ponto de cedência definido, para a armadura não pré-esforçada, ver AS 3600 Secção 3.2. A definição deste diagrama requer apenas o conhecimento das propriedades básicas da armadura – a resistência e o módulo de elasticidade.
O diagrama tensão-deformação da armadura também pode ser definido pelo utilizador, mas, neste caso, não é possível considerar o efeito de enrijecimento à tração (não é possível calcular a abertura de fendas).

em que:
Φs é o fator de redução da resistência da armadura. O valor por defeito é definido de acordo com a AS 3600 Tabela 2.2.3.
fy é a tensão de cedência da armadura
Es é o módulo de elasticidade da armadura
O enrijecimento à tração (Fig. 81) é considerado automaticamente, modificando a relação tensão-deformação de entrada do varão de armadura nu, de modo a captar a rigidez média dos varões embebidos no betão (εm).

7.2 Redução de tensões e fatores de carga
O Método do Campo de Tensões Compatível está em conformidade com as normas de cálculo modernas. Como os modelos de cálculo utilizam apenas propriedades de materiais normalizadas, o formato dos coeficientes parciais de segurança prescrito nas normas de cálculo pode ser aplicado sem qualquer adaptação. Desta forma, as ações introduzidas são majoradas e as propriedades características dos materiais são reduzidas através dos respetivos fatores de redução de tensões, exatamente como na análise convencional de betão.
Os valores dos fatores de redução de tensões são prescritos na AUS 3600 Cl. 2.2.3. Os valores predefinidos para o betão e para a armadura são definidos de acordo com a Tabela 2.2.3

Os fatores de carga para as combinações de resistência devem ser definidos de acordo com a AS 3600 Cl. 4.2.2. Os fatores de carga para as combinações de utilização devem ser determinados de acordo com a Tabela 4.1. Para todos os modelos, os fatores de carga já se encontram predefinidos.

7.3 Verificações de resistência e de ancoragem
As diferentes verificações exigidas pela AS 3600 são avaliadas com base nos resultados diretos fornecidos pelo modelo. As verificações são efetuadas para a resistência do betão, a resistência da armadura e a ancoragem (tensões de corte de aderência).
A resistência do betão à compressão é avaliada como a razão entre a tensão principal máxima de compressão fc (também σ2 nos Resultados auxiliares), obtida na análise EF, e o valor limite f'c,lim.
A resistência da armadura é avaliada tanto à tração como à compressão, como a razão entre a tensão na armadura nas fendas fs e o valor limite especificado fsy,lim.
A tensão de corte de aderência é avaliada de forma independente, como a razão entre a tensão de aderência τb calculada pela análise EF e a tensão de aderência última de cálculo fbu.
Para a determinação da tensão de aderência última de cálculo fbu, a aplicação considera a fórmula C13.1.2.2 definida na AS3600:2018 Sup 1:2022.
Em que f'c ≤ 65 MPa (na fórmula, em MPa), e os fatores k são determinados a partir da AS 3600 Cl. 13.1.2.2 do seguinte modo:
k3 = 0.7 (valor conservativo para toda a armadura)
k2 = (132 - db) / 100 (db é o diâmetro do varão em milímetros)
= 1.3 para um varão horizontal com mais de 300 mm de betão moldado abaixo do varão, ou 1.0 nos restantes casos
k1 é obtido automaticamente a partir da posição da armadura no modelo e da direção de betonagem, que pode ser definida na aplicação para cada item do projeto, do seguinte modo.

O comprimento de ancoragem básico Lsy,tb é calculado de acordo com a fórmula 13.1.2.2 da AS 3600 do seguinte modo:
Como se pode verificar na fórmula, o comprimento de ancoragem básico Lsy,tb tem um limite inferior e, por conseguinte, a tensão de aderência última de cálculo fbu tem de ser limitada da mesma forma na aplicação, pelo que se aplica o seguinte:
Em que fsy está em MPa.
A dedução da limitação de fbu é a seguinte:
Existe também a opção de modelar varões lisos. Pode encontrar mais informações aqui: Varões lisos no Detail
Força total Ftot e força limite Flim
A força total Ftot é um resultado da análise pelo Método dos Elementos Finitos e pode ser definida de duas formas.
em que As é a área do varão de armadura e fs é a tensão no varão.
Ou como a soma da força de ancoragem Fa com a força de aderência Fbond.
em que Fa é a força real na mola de ancoragem e Fbond é a força de aderência, que pode ser obtida por integração da tensão de aderência τb ao longo do comprimento l do varão de armadura.
Cs é o perímetro do varão de armadura.
A força limite Flim é a força máxima no elemento do varão, considerando a resistência do varão e também as condições de ancoragem (aderência entre o betão e a armadura e ganchos de ancoragem, laços, etc.).
em que Cs é o perímetro do varão de armadura e l é o comprimento desde o início do varão até ao ponto de interesse.

em que Flim,add é a força adicional calculada a partir da amplitude do ângulo entre elementos vizinhos. Flim,2 tem de ser sempre inferior a Fu.
Os tipos de ancoragem disponíveis no CSFM incluem varão reto (i.e., sem redução da extremidade de ancoragem), dobra normalizada, gancho normalizado, aderência perfeita e varão contínuo. Todos estes tipos, juntamente com os respetivos coeficientes de ancoragem β, são apresentados na Fig. 86 para a armadura longitudinal. Os valores dos coeficientes de ancoragem adotados derivam da AS 3600 Cl. 13.1.2. Importa referir que o CSFM distingue três tipos de extremidades de ancoragem: (i) sem redução do comprimento de ancoragem, (ii) uma redução de 50% do comprimento de ancoragem no caso de uma ancoragem normalizada e (iii) aderência perfeita.

O coeficiente de ancoragem para estribos é sempre β = 1.0.
Para cumprir a AS 3600, a mola de ancoragem deve ser utilizada no cálculo; como a mola de ancoragem é modificada pelo coeficiente β, o utilizador tem de utilizar um dos tipos de ancoragem disponíveis ao definir as condições de início e de fim da armadura.
7.4 Verificações em estado limite de utilização
As verificações em serviço são realizadas para os limites de largura de fendas e de flecha.
Flecha
Com base no tipo de combinação selecionado (longo prazo ou curto prazo), é avaliada a flecha de longo prazo ou de curto prazo. O valor máximo admissível da flecha deve ser definido pelo utilizador e considerado de acordo com a AS 3600 Cl. 2.3.2.

Na aplicação, é possível apresentar separadamente as flechas devidas à carga permanente ΔPL e à sobrecarga ΔIL, bem como a flecha total ΔTot (permanente + sobrecarga), apresentando em simultâneo a deformada.
As flechas em extremidades cortadas não podem ser verificadas.
Largura de fendas
As larguras e as orientações das fendas são calculadas para combinações em serviço de curto prazo ou de longo prazo. O método de cálculo direto das larguras de fendas na aplicação está em conformidade com (baseia-se no) o método indicado na AS 3600 8.6.2.3.
As verificações são apresentadas da seguinte forma:
em que:
w largura de fendas de curto ou de longo prazo, calculada por análise de elementos finitos (EF),
wlim valor limite da largura de fendas definido pelo utilizador.
As larguras máximas de fendas recomendadas encontram-se na AS3600:2018 Sup 1:2022 Table C2.3.3.1.

Em alternativa, de acordo com a AS3600:2018 Sup 1:2022 Cl. C8.6.1 - para estruturas sujeitas a cargas de serviço de longo prazo, os valores recomendados para wlim são os seguintes:

Existem duas formas de calcular as larguras de fendas (fendilhação estabilizada e não estabilizada). No caso geral (fendilhação estabilizada), a largura de fendas é calculada por integração das deformações nos elementos 1D das varões de armadura. A direção das fendas é depois calculada a partir dos três pontos de integração mais próximos (relativamente ao centro do elemento finito 1D de armadura considerado) dos elementos de betão 2D. Embora esta abordagem de cálculo das direções das fendas não corresponda à posição real das fendas, fornece ainda assim valores representativos que conduzem a resultados de largura de fendas comparáveis com os valores de largura de fendas exigidos pela norma na posição da barra de armadura.
8 Verificações estruturais de acordo com a CSA A23.3:24
A avaliação da estrutura com o CSFM é realizada através de duas análises distintas: uma para o estado limite de utilização e outra para as combinações de ações de resistência. A análise em estado limite de utilização assume que o comportamento sob cargas majoradas é satisfatório e que as condições de cedência do material não serão atingidas aos níveis de carga de utilização. Esta abordagem permite utilizar modelos constitutivos simplificados (com um ramo linear do diagrama tensão-deformação do betão) na análise em estado limite de utilização, de modo a melhorar a estabilidade numérica e a velocidade de cálculo.
O CSFM é um método de análise estrutural que satisfaz os requisitos para a análise por elementos finitos indicados na cláusula 9.5 da CSA A23.3:24. Os efeitos da fendilhação são considerados diretamente nos modelos de materiais (cláusula 9.5.1), a ancoragem da armadura é considerada explicitamente (cláusula 9.5.3), e o controlo da fendilhação e as flechas são verificados no âmbito das verificações de utilização (cláusula 9.5.5). Como o CSFM é um método de campo de tensões contínuo, é também consistente com a análise por modelos de escora-e-tirante permitida pela cláusula 9.4, e o limite da tensão de compressão nas escoras indicado na cláusula 11.4.2.3 está refletido na resistência limite à compressão do betão (ver a definição dos fatores α e kc2 abaixo).
Foram realizadas verificações e validações do método em diversas universidades. Os artigos individuais que resumem os resultados da verificação e validação podem ser consultados na seguinte ligação.
Uma vez que o IDEA StatiCa Detail é um programa de dimensionamento prático, nos cálculos utiliza-se a resistência especificada à compressão do betão, ponderada, f'c , conforme descrito no capítulo seguinte.
8.1 Modelos de materiais (CSA)
Betão - Resistência
O modelo de betão implementado para os cálculos de resistência no CSFM baseia-se na curva tensão-deformação parabólica-plástica. A resistência à tração é desprezada, tal como no dimensionamento clássico de betão armado. Para a norma de cálculo CSA, só é suportado o diagrama parábola-retângulo para o betão.

A implementação do CSFM no IDEA StatiCa Detail não considera um critério de rotura explícito em termos de deformações para o betão à compressão (ou seja, depois de atingida a tensão de pico, considera um ramo plástico com εc com valor máximo de 5%, enquanto a CSA A23.3:24 Cláusula 10.1.3 assume uma deformação máxima de compressão do betão de 0,0035). Esta simplificação não permite verificar a capacidade de deformação de estruturas que rompem por compressão. No entanto, a resistência é prevista corretamente quando, além do fator de betão fendilhado (kc2 definido na Fig. 90), se considera o aumento da fragilidade do betão com o aumento da sua resistência, por meio do fator de redução ηfc definido no fib Model Code 2010 do seguinte modo:
em que:
α é o fator que considera as diferenças entre a resistência in situ e a resistência do provete cilíndrico normalizado, de acordo com a CSA A23.3:24 Cláusula 10.1.6. A Nota dessa cláusula exige que os blocos de tensões se baseiem em curvas tensão-deformação com uma tensão de pico não superior a 0,9 f'c. O fator está também alinhado com o requisito de limitar a tensão de compressão nas escoras de acordo com a Cláusula 11.4.2.3. O valor por defeito é 0,85 e pode ser modificado nas Definições do projeto.
Nota: α é um valor único, definido pelo utilizador, aplicado ao diagrama tensão-deformação parábola-retângulo. Não deve ser confundido com o fator α1 da distribuição retangular equivalente de tensões no betão, que a CSA A23.3:24 Cláusula 10.1.7 define como dependente da resistência (α1 = 0,85 − 0,0015 f'c ≥ 0,67, Equação 10.1).
Φc é o fator de resistência do betão de acordo com a CSA A23.3:24 Cláusula 8.4.2.
kc2 é o fator de redução devido à presença de fendilhação transversal (amolecimento à compressão).
f'c é a resistência à compressão especificada do betão (em MPa para a definição de ηfc).
Ao utilizar um diagrama tensão-deformação parábola-retângulo, é necessário reduzir a tensão máxima de compressão pelo fator α. Isto permite obter a média da distribuição de tensões na zona comprimida, de modo que a resistência à compressão resultante seja inferior ou igual à resistência à compressão calculada com um diagrama tensão-deformação com ramo plástico decrescente. Na CSA A23.3:24 Cláusula 10.1.7 define-se uma abordagem análoga para a distribuição retangular equivalente de tensões no betão, onde se assume que a tensão do betão majorada α1 Φc f'c está uniformemente distribuída na zona comprimida equivalente.
kc2 é um fator de redução baseado nos mesmos pressupostos do limite da tensão de compressão nas escoras indicado na CSA A23.3:24 Cláusula 11.4.2.3, com a diferença de que, no CSFM, a presença de uma deformação principal de tração perpendicular à tensão principal de compressão é verificada para cada elemento finito (e não apenas para as escoras e zonas nodais do modelo de escoras e tirantes).
Betão – Estado limite de utilização
A análise em estado limite de utilização contém algumas simplificações dos modelos constitutivos utilizados na análise de resistência. O ramo plástico da curva tensão-deformação do betão à compressão é desprezado, sendo o ramo elástico linear e infinito. A lei de amolecimento à compressão não é considerada. Estas simplificações melhoram a estabilidade numérica e a velocidade de cálculo e não reduzem a generalidade da solução, desde que os limites de tensão resultantes dos materiais em serviço estejam claramente abaixo dos respetivos pontos de cedência (em conformidade com os requisitos de utilização da CSA A23.3:24, Cláusula 9.8 e Cláusula 18.3 para elementos pré-esforçados). Assim, os modelos simplificados utilizados para o estado limite de utilização só são válidos se todos os requisitos de verificação forem cumpridos.
Efeitos de longo prazo
A lei constitutiva de longo prazo é utilizada para o cálculo da largura de fendas, da flecha total e da limitação de tensões de elementos pré-esforçados quando o efeito de longo prazo está selecionado na faixa de opções superior.
Na aplicação IDEA StatiCa Detail, o módulo de elasticidade Ec é ajustado para determinar o comportamento de longo prazo da estrutura através do fator dependente do tempo s. O módulo de elasticidade ajustado é designado por Ec,eff – ver Figura 92.
Assumindo que a deformação do elemento é expressa em termos de extensão, pode escrever-se:
em que:
ε0 é a deformação de curto prazo (sem influência da fluência) e εcreep é a deformação causada pela fluência.
Utilizando a lei de Hooke, podemos escrever:
Substituindo e obtém-se:
em que:
Ec é o módulo de elasticidade do betão definido na CSA A23.3:24 Cláusula 8.6.2.2
s é o fator dependente do tempo. Podem ser definidos três fatores pelo utilizador no separador Materiais, que devem ser determinados de acordo com o fator para flechas sob cargas permanentes ζs indicado na CSA A23.3:24 Cláusula 9.8.2.5 (Cláusula 9.8.4.4 para elementos pré-esforçados):

Efeitos de curto prazo
Para efetuar as verificações de curto prazo, é realizado outro cálculo em que todas as ações são consideradas sem o fator dependente do tempo. Ambos os cálculos, para as verificações de longo e de curto prazo, estão representados na Fig. 92.
Armadura
Para a armadura não pré-esforçada, considera-se um diagrama tensão-deformação perfeitamente elastoplástico com um ponto de cedência definido. Os materiais da armadura são definidos pela CSA G30.18:21. A definição deste diagrama requer apenas o conhecimento das propriedades básicas da armadura – a resistência e o módulo de elasticidade.
O diagrama tensão-deformação da armadura também pode ser definido pelo utilizador, mas, neste caso, não é possível considerar o efeito de enrijecimento à tração (não é possível calcular a largura de fendas).

em que:
Φs é o fator de resistência da armadura de acordo com a CSA A23.3:24 Cláusula 8.4.3.
fsy é a tensão de cedência da armadura
Es é o módulo de elasticidade da armadura
É selecionado 10% como a deformação limite em que o cálculo é interrompido. Considera-se que este valor é seguro com base na ASTM A955/A955M-20c Artigo 7.
O enrijecimento à tração (Fig. 94) é considerado automaticamente através da modificação da relação tensão-deformação de entrada do varão de armadura nu, de modo a captar a rigidez média dos varões embebidos no betão (εm).

8.2 Fatores de resistência e de carga
O Método do Campo de Tensões Compatível está em conformidade com os códigos de cálculo modernos. Como os modelos de cálculo utilizam apenas propriedades de materiais normalizadas, o formato dos coeficientes parciais de segurança prescrito nos códigos de cálculo pode ser aplicado sem qualquer adaptação. Desta forma, as cargas de entrada são majoradas e as propriedades dos materiais especificadas são reduzidas com os respetivos fatores de resistência, exatamente como na análise convencional de betão.
Os valores dos fatores de resistência dos materiais são prescritos na Cláusula 8.4 da CSA A23.3:24. A resistência majorada do betão é definida na Cláusula 8.4.2 e a força majorada na armadura e nos tendões na Cláusula 8.4.3. Os valores por defeito utilizados no IDEA StatiCa Detail correspondem aos valores indicados nestas cláusulas para o caso de estruturas dimensionadas de acordo com a Cláusula 8, ou seja, não são ajustados para os fatores de material reduzidos permitidos para as instalações de pré-fabricação de betão certificadas de acordo com a Cláusula 16.1.3. Se for avaliado um caso deste tipo, o utilizador tem a opção de alterar os valores dos fatores de resistência nas Definições do projeto.

em que:
- Φc é o fator de resistência do betão de acordo com a Cláusula 8.4.2 da CSA A23.3:24.
- Φs é o fator de resistência das varões de armadura e das âncoras de aço embebidas de acordo com a Cláusula 8.4.3 a) da CSA A23.3:24.
- Φp é o fator de resistência dos tendões de pré-esforço de acordo com a Cláusula 8.4.3 b) da CSA A23.3:24.
Além dos fatores de resistência dos materiais, o fator α, que tem em conta as diferenças entre a resistência in situ e a resistência do provete cilíndrico normalizado, é definido nas Definições do projeto. O fator é descrito no capítulo 8.1 e o seu valor por defeito de 0,85 reflete tanto o requisito da Cláusula 10.1.6 da CSA A23.3:24 como o limite da tensão de compressão nas escoras indicado na Cláusula 11.4.2.3.

Os fatores de carga e as combinações de ações devem ser determinados de acordo com o código de edificação aplicável, conforme exigido pelas Cláusulas 8.2.1 e 8.3.1 da CSA A23.3:24. A própria CSA A23.3:24 especifica requisitos em conformidade com o National Building Code of Canada (Cláusula 1.1), e uma versão adaptada das suas disposições sobre combinações de ações é reproduzida no Anexo C (informativo) da CSA A23.3:24. As combinações de ações para estados limite últimos são indicadas na Tabela C.1 a) para casos de carga sem cargas de pontes rolantes e na Tabela C.1 b) para casos de carga com cargas de pontes rolantes, sendo aplicável a combinação que resulta no efeito mais crítico. Os fatores de carga para a pressão lateral de terras H, os efeitos de restrição do pré-esforço P e a deformação imposta T assumem os valores 1,5, 1,0 e 1,25, respetivamente, de acordo com a Cláusula C.1.2.4.
As combinações de ações para estados limite de utilização devem ser tomadas como a combinação que resulta no efeito mais desfavorável para o estado limite em consideração, conforme exigido pela Cláusula 8.3.3.
Uma vez que o IDEA StatiCa Detail também é utilizado para o dimensionamento de pormenores de pontes – como cabeças de pilares, diafragmas e encontros –, deve notar-se que as combinações de ações e os fatores de carga do National Building Code of Canada reproduzidos no Anexo C se aplicam a edifícios. Para as pontes rodoviárias no Canadá, o documento de referência é o Canadian Highway Bridge Design Code CSA S6, que define as suas próprias ações de cálculo, combinações de ações e fatores de carga. Nesses casos, os fatores de carga e as combinações devem ser determinados de acordo com a CSA S6. É da responsabilidade do utilizador definir as combinações de ações relevantes para a estrutura em avaliação e para a edição do código em vigor pela autoridade competente.

Na aplicação estão disponíveis os seguintes tipos de casos de carga:
- Pré-esforço
- Permanente
- Variável
A cada combinação é atribuído um estado limite, que determina tanto os modelos de material utilizados na análise como as verificações normativas que são avaliadas:
- ULS – as verificações de resistência descritas no capítulo 8.3 são avaliadas utilizando o modelo de material parábola-retângulo para o betão.
- SLS – as verificações de utilização descritas no capítulo 8.5 são avaliadas utilizando os modelos de material lineares para o betão. Distinguem-se dois subtipos da combinação de utilização:
- Carga sustentada – pré-esforço mais carga permanente, utilizada na verificação da limitação de tensões de elementos pré-esforçados sob cargas sustentadas.
- Carga total – pré-esforço, carga permanente e carga transitória, utilizada na verificação da limitação de tensões de elementos pré-esforçados sob cargas totais.
Para cada combinação de utilização, o utilizador decide ainda se a combinação está ativa para a verificação da largura de fendas e para a verificação da flecha.

Para cada modelo, o programa inclui combinações básicas predefinidas que requerem complemento consoante o elemento que está a ser processado.
8.3 Estado limite último
As diferentes verificações exigidas pela CSA A23.3:24 são avaliadas com base nos resultados diretos fornecidos pelo modelo. As verificações são realizadas para a resistência do betão, a resistência da armadura e a ancoragem (tensões de corte de aderência).
A resistência do betão à compressão é avaliada como a razão entre a tensão principal máxima de compressão fc (também σc2 nos resultados auxiliares), obtida na análise por EF, e o valor limite f'c,lim.
A resistência da armadura é avaliada à tração e à compressão como a razão entre a tensão na armadura nas fendas fs e o valor limite especificado fsy,lim.
A tensão de corte de aderência é avaliada de forma independente como a razão entre a tensão de aderência τb calculada pela análise por EF e a resistência de aderência de cálculo fbu.
A CSA A23.3:24 não define explicitamente uma resistência de aderência. No entanto, esta é a grandeza da qual derivam as disposições da Cláusula 12 relativas ao comprimento de ancoragem, pelo que pode ser obtida a partir delas. A dedução desenvolve-se em poucos passos.
O comprimento de ancoragem ld é, por definição, o comprimento de embebimento ao longo do qual apenas a aderência transfere para o betão a força de cedência total do varão. Se um varão estiver embebido com um comprimento igual ou superior a ld, o arrancamento provoca a cedência do varão e não a rotura da aderência. Igualando a força transferida por uma tensão de aderência uniforme fbu atuante no perímetro do varão à força de cedência da secção transversal do varão:
onde:
- db é o diâmetro nominal do varão, e π db ld a área da superfície aderente;
- Ab = π db2 / 4 é a área da secção transversal do varão;
- fyg é a tensão de cedência especificada da armadura.
Pode escrever-se:
As equações simplificadas para o comprimento de ancoragem à tração de varões nervurados constam da Tabela 12.1 da CSA A23.3:24 (Cláusula 12.2.3). A aplicação adota o segundo caso, mais conservativo, designado Outros casos.
Na aplicação, os fatores de modificação definidos na Tabela 12.2 da CSA A23.3:24 (Cláusula 12.2.4) são kc = 1,0, porque só é suportada armadura sem revestimento, e ka = 1,0, porque só é suportado betão de densidade normal. A expressão adotada é, portanto,
A substituição desta expressão na condição de equilíbrio elimina o comprimento de ancoragem:
Tanto fyg como db surgem no numerador e no denominador, pelo que se anulam:
Avaliando a constante, 1 / 2,4 = 0,4167, arredondado para 0,42, obtém-se a resistência de aderência de cálculo implementada na aplicação:
Os fatores de modificação são determinados a partir da Tabela 12.2 da CSA A23.3:24 (Cláusula 12.2.4):

De acordo com a Cláusula 12.1.2 da CSA A23.3:24, o valor máximo admissível de √f'c utilizado no cálculo dos comprimentos de ancoragem é 8 MPa.
O fator k1 é determinado automaticamente a partir da posição da armadura no modelo, de acordo com a figura seguinte:

Para condições de aderência más, k1=1,3
A direção de betonagem pode ser definida na aplicação.

A tensão de corte de aderência e a resistência de aderência de varões à compressão são calculadas de forma análoga à dos varões à tração, mas são utilizadas as equações para o comprimento de ancoragem à compressão da Cláusula 12.3.2 da CSA A23.3:24.
Existe também a opção de modelar varões lisos. Pode encontrar mais informações aqui: Varões lisos no Detail
Força total Ftot e força limite Flim
A força total Ftot é um resultado da análise pelo Método dos Elementos Finitos e pode ser definida de duas formas.
em que As é a área do varão de armadura e fs é a tensão no varão.
Ou como a soma da força de ancoragem Fa com a força de aderência Fbond.
em que Fa é a força real na mola de ancoragem e Fbond é a força de aderência, que pode ser obtida por integração da tensão de aderência τb ao longo do comprimento l do varão de armadura.
Cs é o perímetro do varão de armadura.
A força limite Flim é a força máxima no elemento do varão, considerando a resistência do varão e também as condições de ancoragem (aderência entre o betão e a armadura e ganchos de ancoragem, laços, etc.).
em que Cs é o perímetro do varão de armadura e l é o comprimento desde o início do varão até ao ponto considerado.

em que Flim,add é a força adicional calculada a partir da amplitude do ângulo entre elementos vizinhos. Flim,2 tem de ser sempre inferior a Fu.
Os tipos de ancoragem disponíveis para a armadura longitudinal e transversal seguem os ganchos e dobras definidos na Cláusula 6.6.2 da CSA A23.1:19. Um gancho normalizado é definido na Cláusula 6.6.2.2 como uma dobra semicircular (180 graus) ou uma dobra a 90 graus com o prolongamento prescrito na extremidade livre do varão; para a ancoragem de estribos e cintas, é definida uma dobra a 90 graus ou a 135 graus. Os tipos de ancoragem disponíveis no CSFM para a armadura longitudinal incluem varão reto (ou seja, sem redução na extremidade de ancoragem), dobra a 90 graus, dobra a 180 graus, aderência perfeita e varão contínuo. Todos estes tipos, juntamente com os respetivos coeficientes de ancoragem β, são apresentados na Fig. 103.

Deve notar-se que, apesar das diferentes opções disponíveis, o CSFM distingue três tipos de extremidade de ancoragem: (i) sem redução do comprimento de ancoragem, (ii) uma redução de 30% do comprimento de ancoragem no caso de uma ancoragem normalizada e (iii) aderência perfeita. Os coeficientes de ancoragem adotados são os seguintes:
O coeficiente de ancoragem para estribos (disponível para elemento de viga) é sempre - β = 1,0.
Para cumprir a CSA A23.3, deve ser utilizada a mola de ancoragem no cálculo. A mola de ancoragem é modificada pelo coeficiente β, pelo que o utilizador deve selecionar um dos tipos de ancoragem disponíveis ao definir as condições de início e de fim da armadura.
8.4 Resistência das zonas de apoio e de ancoragem – Áreas parcialmente carregadas
No dimensionamento de estruturas de betão, existem dois grandes grupos de áreas parcialmente carregadas (PLA) – o primeiro inclui os apoios, enquanto o segundo é constituído pelas zonas de ancoragem.
De acordo com as normas atualmente em vigor para o dimensionamento de estruturas de betão armado, nos apoios devem ser consideradas o esmagamento local do betão e as forças de tração transversais. Para uma carga uniformemente distribuída numa área A1, a capacidade de compressão do betão pode ser aumentada até duas vezes, em função da área de distribuição de cálculo A2. Ver CSA A23.3:24, Cláusula 10.8.1.
exceto quando a superfície de apoio é mais larga, em todos os lados, do que a área carregada; neste caso, a resistência ao esmagamento na área carregada pode ser multiplicada por
em que:
- A1 é a área carregada;
- A2 é a área de distribuição de cálculo, medida no plano definido pela dispersão admissível da carga;
- Φc é o coeficiente de resistência do betão de acordo com a Cláusula 8.4.2, cujo valor por defeito é 0,65 (ver capítulo 8.2).
Para as zonas de ancoragem de pós-tensão, deve ser seguida a CSA A23.3:24, Cláusula 18.13. A Cláusula 18.13.1 exige que as zonas de ancoragem de pós-tensão sejam dimensionadas para resistir à resistência à tração especificada dos tendões, e a Cláusula 18.13.2 permite que o dimensionamento seja realizado por um dos seguintes métodos: equilíbrio com base em modelos de escora-e-tirante de acordo com a Cláusula 11.4; análise de tensões elástica através do Método dos Elementos Finitos ou equivalente; métodos baseados em ensaios; ou equações simplificadas, quando aplicável. A Cláusula 18.13.4 exige adicionalmente que as regiões de concentração de tensões devidas a variações bruscas da secção sejam adequadamente armadas.
O segundo destes métodos é o que o CSFM representa, o que torna o Detail diretamente aplicável ao dimensionamento de zonas de ancoragem de tendões de acordo com a CSA A23.3:24.
A área parcialmente carregada deve ser suficientemente armada com armadura transversal dimensionada para transmitir as forças de fendilhação que ocorrem nessa área, conforme exigido pela Cláusula 10.8.2, que requer armadura nas zonas de apoio para resistir às forças de rebentamento, fendilhação e lascagem. Sem a armadura transversal necessária, não é possível considerar o aumento da capacidade de compressão do betão.
Áreas parcialmente carregadas no CSFM
Utilizando o CSFM, é possível dimensionar e avaliar estruturas de betão armado incluindo a influência do aumento da resistência à compressão do betão em áreas parcialmente carregadas. Dado que o CSFM é um modelo de parede (2D) e que as áreas parcialmente carregadas constituem um problema espacial (3D), foi necessário encontrar uma solução que combinasse estes dois tipos diferentes de problemas (Fig. 105). Se a função “áreas parcialmente carregadas” estiver ativada, a geometria do cone admissível é criada de acordo com a CSA (Fig. 104). Todas as colisões geométricas são resolvidas totalmente em 3D para a geometria especificada do elemento de betão e para as dimensões de cada PLA. Seguidamente, é criado um modelo de cálculo da área parcialmente carregada.

A modificação do modelo de material revelou-se uma abordagem inadequada, principalmente porque o mapeamento das propriedades para a malha de elementos finitos é problemático. Concluiu-se que uma abordagem independente da malha de elementos finitos é uma solução mais adequada. Para a geometria conhecida do cone de compressão, são criadas escoras fictícias absolutamente coerentes (Fig. 105 e Fig. 106). Estas escoras têm propriedades de material idênticas às do betão utilizado no modelo, incluindo o diagrama tensão-deformação. A forma do cone determina a direção das escoras, que distribuem gradualmente a carga na PLA até à área de distribuição de cálculo. A densidade superficial das escoras fictícias é variável em cada parte do cone e acrescenta uma área fictícia de betão na direção da carga. Ao nível da área carregada (A1), é acrescentada uma área fictícia de betão de acordo com a relação (em que Areal é a área do apoio assumida no modelo de cálculo 2D), e esta área diminui linearmente até zero em direção à área de distribuição de cálculo (A2). Esta solução garante que a tensão de compressão no betão é constante em todo o volume do cone.

A resistência da área parcialmente carregada é aumentada de acordo com a relação entre a área de distribuição de cálculo e a área carregada estabelecida na CSA A23.3:24, Cláusula 10.8.1. Deve ter-se presente que se trata de um modelo de cálculo que não consegue descrever com precisão o estado de tensão numa área parcialmente carregada, cujo fluxo real de tensões é muito mais complexo. No entanto, esta solução permite a correta distribuição da carga por todo o modelo, respeitando simultaneamente a maior capacidade de carga da área parcialmente carregada. Além disso, introduz corretamente as tensões transversais nesta área, permitindo dimensionar corretamente a armadura para as forças de fendilhação.
A densidade é limitada de modo a que não seja excedida a capacidade máxima dupla dada pelo limite √(A2/A1) ≤ 2 da Cláusula 10.8.1.
Nas zonas de ancoragem, a PLA é utilizada na aplicação da mesma forma que nos apoios. A tensão de compressão no próprio dispositivo de ancoragem tem, por isso, de ser verificada manualmente em relação aos requisitos da Cláusula 18.13. Neste caso, a PLA é utilizada para evitar que o critério de deformação seja excedido na zona local e, assim, o cálculo seja interrompido prematuramente. Por outro lado, a armadura que resiste às forças de rebentamento, fendilhação e lascagem exigidas pela Cláusula 10.8.2, bem como a armadura das regiões de concentração de tensões exigida pela Cláusula 18.13.4, podem ser verificadas diretamente e de forma vantajosa na aplicação.
8.5 Estado limite de utilização
Os estados limites de utilização da CSA A23.3:24 estão definidos na Cláusula 8.1.4: flechas de acordo com a Cláusula 8.1.4.1, danos locais e fendilhação de acordo com a Cláusula 8.1.4.2, e vibrações de acordo com a Cláusula 8.1.4.3. As verificações de utilização no Detail são realizadas para a limitação de tensões, a largura de fendas e os limites de flecha. As vibrações não são avaliadas.
Todas as verificações de utilização são realizadas com os modelos de material lineares descritos no capítulo 8.1, para as combinações de utilização descritas no capítulo 8.2. Estão disponíveis um cálculo de curto prazo e um cálculo de longo prazo, utilizando o módulo de elasticidade médio Ec e o módulo efetivo Ec,eff, respetivamente.
Limitação de tensões
A verificação da limitação de tensões é realizada apenas para elementos pré-esforçados, ou seja, apenas se o caso de carga de Pré-esforço estiver presente no modelo, de acordo com a Cláusula 18.3.
A CSA A23.3:24 exige a verificação das tensões tanto no betão como nos tendões. As tensões admissíveis nos tendões da Cláusula 18.4 aplicam-se à força de macacagem e ao estado imediatamente após a transferência do pré-esforço, ou seja, devem ser verificadas durante a aplicação do pré-esforço; isto está fora do âmbito do modelo e, por isso, não é avaliado no Detail.
A tensão de compressão no betão é avaliada como a relação entre a tensão principal de compressão máxima fc = σc2 obtida na análise FE para a utilização e o valor limite. Os limites são os da Cláusula 18.3.2, que se aplica às tensões sob as cargas especificadas e o pré-esforço após consideração de todas as perdas de pré-esforço:

Na aplicação, Pré-esforço mais carga permanente é tratado como uma carga sustentada, e Pré-esforço, carga permanente e carga transitória como uma carga total.

Os dois limites correspondem aos dois subtipos da combinação de utilização descritos no capítulo 8.2: a combinação de carga sustentada é verificada face a 0,45 f'c e a combinação de carga total face a 0,60 f'c. Ambos os valores podem ser modificados nas Definições do projeto, e cada uma das duas verificações pode ser desativada independentemente.

A tensão no betão é calculada utilizando diagramas tensão-deformação lineares. Para cada combinação de utilização, são realizados dois cálculos:
- curto prazo – é considerado o módulo de elasticidade médio do betão Ec;
- longo prazo – é considerado o módulo de elasticidade efetivo Ec,eff, incluindo a fluência, para todas as etapas de cálculo, ou seja, para a aplicação do pré-esforço, das cargas permanentes e das cargas transitórias.
Os coeficientes de fluência são definidos como propriedades do material, conforme descrito no capítulo 8.1. Se forem apresentados os resultados da tensão real no betão fc , está disponível a funcionalidade de ajuste do limite da paleta.

Descompressão
O Detail fornece também uma verificação de descompressão para a armadura de pré-esforço, se for definida uma entidade de tendão no modelo. A verificação garante que o betão ao nível do tendão permanece em compressão, o que é a condição subjacente ao limite de tensão de tração da Cláusula 18.3.2 c) para a zona tracionada pré-comprimida.
Flecha
A CSA A23.3:24 exige o cálculo de três tipos diferentes de flecha, de acordo com a Cláusula 9.8.2 para elementos não pré-esforçados e a Cláusula 9.8.4 para elementos pré-esforçados:
- Instantânea – a flecha causada pela combinação de cargas definida, calculada com o módulo de elasticidade médio do betão Ec, de acordo com a Cláusula 9.8.2.2;
- A longo prazo – a flecha adicional causada pelos efeitos da fluência e da retração, de acordo com a Cláusula 9.8.2.5;
- Total – a flecha causada pela combinação de cargas definida, calculada com o módulo de elasticidade efetivo Ec,eff. O módulo efetivo é calculado separadamente para cada etapa de cálculo – pré-esforço, cargas permanentes e cargas variáveis – utilizando os coeficientes de fluência definidos nas propriedades do material betão, conforme descrito no capítulo 8.1.
A flecha a longo prazo é a diferença entre a flecha total e a flecha instantânea.
O cálculo é realizado para todas as combinações ativas para a verificação da flecha, considerando diagramas tensão-deformação lineares para o betão com o respetivo módulo de elasticidade.
Os resultados são apresentados na verificação da flecha. O utilizador ativa ou desativa a verificação normativa para a flecha total e instantânea e define o valor limite para cada uma.

A vista de dados apresenta uma tabela com os resultados da flecha instantânea, a longo prazo e total para a combinação de cargas selecionada.
As flechas calculadas máximas admissíveis são indicadas no Quadro 9.3 da CSA A23.3:24, que distingue o tipo de elemento e a flecha a considerar.
Os valores limite devem ser determinados pelo utilizador de acordo com o tipo de elemento analisado. Note-se que os limites do Quadro 9.3 para o terceiro e o quarto tipo de elemento se referem à parte da flecha total que ocorre após a fixação dos elementos não estruturais, ao passo que o Detail apresenta a flecha total desde o início do histórico de carga. As Notas do Quadro 9.3 permitem que a flecha a longo prazo seja reduzida do valor calculado como ocorrendo antes dessa fixação; esta redução é da responsabilidade do utilizador.
Largura de fendas
A CSA A23.3:24 controla a fendilhação indiretamente na Cláusula 10.6.1 através do parâmetro de controlo de fendilhação z. A Nota da Cláusula 8.1.4.2 afirma explicitamente que "esta Norma não limita especificamente as larguras de fendas", e a Nota da Cláusula 10.6.1 acrescenta que os requisitos dessa cláusula podem não ser suficientes para estruturas sujeitas a exposição muito agressiva ou concebidas para serem estanques.
O parâmetro z representa um grau potencial de fendilhação e não uma largura de fenda física. A relação subjacente não tem em conta o espaçamento das fendas, que não pode ser previsto de forma fiável, pelo que um valor de z não pode ser convertido numa largura de fenda nem comparado com uma.
Uma vez que a CSA A23.3:24 não fornece qualquer procedimento para o cálculo da largura de fendas, o Detail avalia a largura de fendas através do procedimento geral do CSFM, que é independente da norma de dimensionamento: as deformações médias calculadas ao longo das barras de armadura são integradas sobre o espaçamento de fendas obtido a partir do Modelo do Banzo Tracionado. A verificação da largura de fendas é realizada para todas as combinações de utilização com a propriedade "Ativa para a verificação da largura de fendas" ativada.
Os cálculos são realizados utilizando diagramas tensão-deformação lineares para o betão. Para cada combinação de utilização atribuída à verificação da largura de fendas, são realizados os cálculos de curto prazo e de longo prazo descritos acima.
A verificação é apresentada da seguinte forma:
onde:
- w é a largura de fendas de curto prazo ou de longo prazo calculada pela análise FE;
- wlim é o valor limite da largura de fendas definido pelo utilizador.
Uma vez que a CSA A23.3 não prescreve larguras de fendas limite, o utilizador tem de especificar wlim de acordo com as condições de exposição e os requisitos do projeto.
Pode obter-se orientação na CSA S6:14, Canadian Highway Bridge Design Code, Cláusula 8.12.3.1 e Quadro 8.6, que especifica as larguras de fendas máximas nos estados limites de utilização para o tipo de componente estrutural e de exposição aplicáveis:

Estes valores são estabelecidos para pontes rodoviárias. Para edifícios dimensionados de acordo com a CSA A23.3, não constituem um requisito obrigatório, mas representam os limites adotados pela prática de projeto canadiana para as condições de exposição correspondentes.
São também coerentes com a grandeza que a aplicação avalia. A Cláusula 8.12.3.2 da CSA S6:14 calcula a largura de fendas como w = kb βc srm εsm
ou seja, como o produto de um espaçamento de fendas srm e de uma deformação média da armadura εsm, que é a mesma grandeza que o CSFM obtém ao integrar as deformações calculadas ao longo das barras de armadura sobre o espaçamento de fendas. Os limites do Quadro 8.6 são, por isso, definidos para uma largura de fendas da mesma natureza da apresentada pela aplicação, ao contrário de um limite derivado de um parâmetro de distribuição de barras como z.
9 Pré-esforço - descrição do modelo
Introdução e modelos de materiais
O Método do Campo de Tensões Compatível (CSFM) é um método computacional baseado em estados planos de tensão 2D, no qual o betão é modelado com elementos finitos 2D aos quais se ligam, por restrições, elementos 1D de armadura. Podem também ser adicionados ao modelo tipos especiais de elementos 1D que representam armadura de pré-esforço aderente, a qual pode ser modelada como pré-tensionada e pós-tensionada.
A armadura de pré-esforço é modelada de forma semelhante à armadura convencional, utilizando elementos lineares que transmitem o esforço axial. Cada elemento individual de armadura de pré-esforço é caracterizado pela sua área e pelas propriedades do material. Estas propriedades são dadas pela curva característica do material de acordo com a norma utilizada (EN 1992-1-1, ACI 318-19, etc.)
EUROCÓDIGO
Diagrama tensão-deformação da armadura de pré-esforço: a) diagrama tensão-deformação conforme definido na EN 1992-1-1; b) deformação inicial da armadura pré-tensionada

ACI
Diagrama tensão-deformação da armadura de pré-esforço: a) diagrama tensão-deformação; b) deformação inicial da armadura pré-tensionada

Os elementos de armadura são ligados por um modelo de aderência aos elementos 2D do modelo de betão, da mesma forma que a armadura clássica de betão.
Os elementos do modelo de aderência permitem a deformação relativa entre a armadura de pré-esforço e o betão, com características não lineares adequadas. Deste modo, modela-se corretamente a aderência da armadura ao betão e também o modelo de ancoragem da armadura pré-tensionada. As modificações de extremidade da armadura pós-tensionada, por exemplo a placa de ancoragem, são modeladas por um elemento com rigidez correspondente à ancoragem na extremidade da armadura de pré-esforço, e a força de pré-esforço na extremidade é aplicada como carga de superfície no modelo de betão, sobre uma área com a dimensão da placa de ancoragem. O modelo não consegue descrever corretamente o estado de tensão triaxial local na região sob a ancoragem, pelo que esta região deve ser considerada separadamente.
O enrijecimento à tração da armadura devido à interação com o betão não é considerado na armadura de pré-esforço, porque se assume que o betão na vizinhança da armadura de pré-esforço se encontra em compressão.
Armadura pré-tensionada
A armadura pré-tensionada é tensionada antes da betonagem do elemento. A armadura de pré-esforço é quase sempre traçada em linha reta, pelo que não ocorrem perdas de pré-esforço por atrito. Quando se atinge a resistência do betão requerida, a armadura é libertada dos blocos de ancoragem, ativando assim a armadura de pré-esforço e transferindo as forças da armadura para o betão. Este efeito é fisicamente equivalente ao arrefecimento da armadura e é modelado por uma deformação inicial, de forma semelhante a uma ação térmica. Obtém-se assim um diagrama tensão-deformação da armadura de pré-esforço, como mostrado na figura acima em b). O modelo de cálculo determina automaticamente a resposta em deformação da estrutura ao pré-esforço aplicado e, por isso, determina diretamente as perdas de pré-esforço por deformação elástica do elemento.
Uma vez que a força de pré-esforço é conhecida e, portanto, também a tensão de pré-esforço σpmo, utiliza-se o diagrama do material da armadura para a dependência da tensão em relação à deformação, que pode ser escrita como:
Assumindo que o pré-esforço na armadura é inferior à tensão de cedência (isto é, que as condições definidas na EN 1992-1-1, secção 5.10.3, são cumpridas), a deformação inicial pode também ser calculada como:
ε0 - deformação inicial devida ao pré-esforço
σpm0 - tensão imediatamente antes da libertação
Ep - módulo de elasticidade da armadura de pré-esforço
A armadura pré-tensionada é específica no sentido de que a ancoragem das suas extremidades é conseguida através de vários mecanismos distintos: a adesão entre a armadura e o betão ao nível molecular, o atrito gerado na interface entre a superfície da armadura e o betão, a penetração mecânica da armadura em espiral no betão e o aumento do diâmetro da armadura de pré-esforço, conhecido como mecanismo de cunha ou efeito de Hoyer. Os efeitos referidos são incluídos no modelo de cálculo CSFM através da modificação das propriedades do modelo de ancoragem na região de extremidade da armadura pré-tensionada.
Interação entre a armadura pré-tensionada e o betão: a) armadura em espiral a penetrar no betão; b) efeito de Hoyer

Armadura pós-tensionada
A armadura pós-tensionada é tensionada depois de a estrutura ter sido betonada. O equipamento de pré-esforço apoia-se diretamente na estrutura, eliminando assim as perdas devidas à deformação elástica da estrutura provocada pelo pré-esforço. Quando se atinge a força de pré-esforço pretendida, a armadura é ancorada e, em seguida, as bainhas são injetadas com calda, obtendo-se assim a aderência da armadura à estrutura. Na modelação da armadura pós-tensionada, o cálculo é, por isso, dividido em vários passos de carga: pré-esforço, aplicação das restantes ações permanentes e aplicação das ações variáveis.
Malha de elementos finitos de betão com elementos 1D de armadura de pré-esforço ligados:

Passo de carga "pré-esforço"
Durante o tensionamento da armadura, a rigidez da armadura não é incorporada na rigidez da estrutura. Neste passo de carga, a rigidez do elemento linear não é considerada no modelo; os elementos de armadura são substituídos por uma carga equivalente, correspondente à tensão de pré-esforço e à área de armadura, como mostrado na figura acima. Após se atingir a carga total do pré-esforço e a convergência deste passo de carga, lê-se a deformação do elemento linear específico e, com base nessa deformação, determina-se a deformação inicial ε0 de cada elemento linear da armadura de pré-esforço.
A tensão de pré-esforço pode ser definida manualmente ao longo do comprimento da armadura ou calculada automaticamente com base na geometria da armadura. Se for escolhido o cálculo automático das perdas, são consideradas a perda por atrito (de acordo com a EN 1992-1-1, 5.10.5.2, ou ACI 318-19, 20.3.2) e o deslizamento da armadura (acomodação das cunhas de ancoragem) durante a ancoragem. Como toda a armadura de pré-esforço é aplicada num único passo, não é considerada a perda por tensionamento sucessivo.
Passos de carga subsequentes com a armadura de pré-esforço ativa
Nos passos de carga seguintes (aplicação das restantes ações permanentes e variáveis) segue-se o mesmo procedimento da armadura pré-tensionada. É considerada a rigidez total da armadura de pré-esforço, é considerada a aderência entre a armadura e o betão envolvente, e o diagrama tensão-deformação da armadura de pré-esforço é modificado pela deformação inicial ε0. Esta deformação é diferente para cada elemento e foi obtida no passo de carga anterior, "pré-esforço". Devido à aderência entre a armadura e o betão, a variação do pré-esforço decorrente da deformação elástica da estrutura sob a ação das cargas exteriores é corretamente considerada no modelo.
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